
Estima-se que cerca de 870 a mil toneladas de peixes de várias espécies como pintado, cachara, piranha, armau, jurupoca, pacu, piau, piraputanga, mandi e barbado foram encontrados mortos boiando no dia 26 de janeiro no rio Negro.
A decoada é característica do ecossistema do Pantanal, quando ocorre consumo de oxigênio pela decomposição da matéria orgânica associado à menor taxa de dissolução deste gás no ambiente devido a uma maior temperatura, como resultado das variações do nível de água no complexo baía-rio. Normalmente ela acontece em meados de março na calha do rio Paraguai, mas há ocorrências em pequena escala em outras áreas.
A ocorrência ganhou destaque na mídia nacional e causou espanto a ambientalistas, pesquisadores e autoridades da área ambiental já que coincidiu com o período do defeso, época em que somente é permitida a pesca de subsistência pelos moradores ribeirinhos cadastrados pelo governo estadual.
O documento informa que a morte dos peixes não ocorreu na calha do rio Negro e sim na “Baía do Dourado” na fazenda Santa Sophia e na “Baía da fazenda Rio Negro” na fazenda homônima, que têm contato direto com as águas do rio Negro.

De acordo com o Diretor de Desenvolvimento do Imasul, Roberto Gonçalves, foram realizados os exames da demanda química e bioquímica de oxigênio (DQO e DBO) das amostras coletadas no dia 31 de janeiro. Em visita à campo entre os dias 01 a 03 de fevereiro, foram visitadas sete propriedades rurais na região. Em todas elas os proprietários, gerentes ou administradores foram contatados, informados e orientados sobre as ações do Imasul. Também foi solicitado que mantivessem contato com a Gerência de Recursos Pesqueiros e Fauna em caso de novas ocorrências de mortandade de peixes.
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“A decoada ocorre geralmente devido à combinação de vários fatores, que vão desde a seca anterior, temperatura do ambiente, quantidade de matéria orgânica levada para a água, podendo ser agravada pelo mau uso do solo e das águas. Sendo assim, a planície pantaneira não está livre do fenômeno de forma geral”, revela Roberto.
“Nesse caso particular a água de qualidade ruim chegou em duas baías marginais ao rio Negro no momento que não estava chovendo no local, mas nas redondezas. As águas dessa chuva vieram lavando o campo, trazendo água que já estava acumulada, quente e com muita matéria orgânica em locais rasos da planície adjacente e desaguando dentro essas baías”, explica.
Na viagem dos dias 1 a 3 de fevereiro foram encontrados poucos peixes em estado de decomposição. “Observamos algumas espécies em bom estado e alevinos, que nasceram no final de 2010, que não foram afetados. O ambiente está se recuperando com a água que vai sendo diluída com a de melhor qualidade”, esclarece.
Roberto destaca ainda que a área atingida envolve 100 mil hectares de áreas protegidas, entre o Parque Estadual do Rio Negro e três RPPNs: “São unidades de conservação de proteção integral. Por outro lado, na região só é permitida o pesque e solte e a pesca de subsistência, dessa forma, os estoques pesqueiros tendem a ser mais significativos do que as áreas onde a pesca esportiva é liberada. Isso favorece uma recuperação mais rápida do ambiente”.
Sendo a causa natural ou antrópica, Roberto faz uma ressalva: “Verificamos uma série de eventos para as quais devem estar associadas às mudanças climáticas do planeta. Infelizmente isso já pode ser sentido no Pantanal.” (Fábio Pellegrini)
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