Salada Verde

Pica-pau-do-parnaíba precisa de proteção

Para conservar, projeto de pesquisa coleta desde 2007 dados sobre espécie que foi reencontrada em 2006 após 80 anos sem ser avistada.

Redação ((o))eco ·
3 de março de 2011 · 11 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Celso Calheiros

 
Crédito: Renato Pinheiro
Crédito: Renato Pinheiro
Pesquisadores da Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins estão reunindo informações para garantir a sobrevivência do pica-pau-do-parnaíba (Celeus obrieni), espécie criticamente ameaçada que foi redescoberta em 2006, depois de 80 anos do seu primeiro registro, em Uracuí, Piauí, região do Rio Parnaíba.

Fêmea. Crédito: Renato Pinheiro
Fêmea. Crédito: Renato Pinheiro
A ave também ganhou outros nomes, como pica-pau de kaempfer, e foi registrado em Goiás, Mato Grosso e Maranhão.

O trabalho começou em 2007 e tem apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, desenvolve uma pesquisa sobre o pica-pau-do-parnaíba.

O responsável técnico pelo projeto, Renato Torres Pinheiro, estipula dois objetivos para a pesquisa: “Estudar a biologia e a ecologia do pica-pau-do-parnaíba, determinando seu hábitat preferencial, alimentação, reprodução, relação com outras espécies; e o de realizar expedições para áreas onde historicamente houvesse registros desta espécie”.

Os pesquisadores querem propor medidas para a conservação da ave, depois de reunirem as informações necessárias.

A equipe de Pinheiro sabe da preferência da espécie por áreas de cerradão com bambu. “O que impossibilita uma definição de área exclusiva de ocorrência da ave, uma vez que este tipo de vegetação encontra-se disperso pelo Cerrado”, relata

Embora existam algumas estimativas, o pesquisador diz que ainda não existem dados suficientes para determinar o tamanho real da população do pica-pau-do-parnaíba no Brasil, mas sabe-se que é pequena. “Estima-se que haja entre três e seis mil indivíduos da espécie, sendo que as maiores populações estão no estado do Tocantins, onde ainda se encontram as maiores extensões de Cerrado preservado”, comenta.

Crédito: Gabriel Leite
Crédito: Gabriel Leite
O pica-pau-do-parnaíba alimenta-se quase que exclusivamente de formigas que vivem dentro das hastes da Guadua paniculata, uma espécie de bambu característica do Cerrado. “O fato de a ave ser especializada em um tipo específico de alimento faz dela uma espécie pouco abundante, o que justifica o seu desaparecimento por 80 anos e o que a coloca em risco maior de extinção”, explica Pinheiro. “Em Goiás, por exemplo, a situação da espécie é bastante crítica, uma vez que mais de 65% da cobertura vegetal de Cerrado foi destruída no estado”, afirma.

Outra preocupação dos cientistas é que não foi realizado, até hoje, nenhum registro do pica-pau-do-parnaíba em unidades de conservação de proteção integral, o que aumenta a vulnerabilidade da espécie. Essa evidência estimula a pressão por mais conservação do Cerrado. Segundo Pinheiro, como a ave depende muito do seu hábitat.

Em janeiro, Pinheiro e a equipe do projeto que pesquisa o pica-pau-do-parnaíba identificaram, pela primeira vez, a ocorrência da espécie em uma área protegida, na reserva particular do município de Minaçu, na região norte de Goiás. Os pesquisadores passaram a procurar de indivíduos da espécie para captura e marcação com radiotransmissores. Está prevista a marcação de cinco aves, para a identificação de hábitos de vida que ainda não foram registrados.

A própria espécie contribui com a conservação do bioma. Como a ave se alimenta exclusivamente de formigas, os cientistas acreditam que ela tem uma relação ecológica importante com este grupo, seja alimentando-se e controlando algumas espécies, seja furando as hastes de bambu e permitindo que outras espécies façam uso deste recurso. “Apesar de ingerir mais de 20 espécies de formigas diferentes, seleciona apenas duas, que compõem 80% de sua dieta. Nesse sentido, por ser uma espécie altamente especializada no uso de alguns recursos do meio, seguramente a sua ausência causaria um desequilíbrio”, explica Pinheiro.

Fêmea. Crédito: Renato Pinheiro
Fêmea. Crédito: Renato Pinheiro
Macho. Crédito: Renato Pinheiro
Macho. Crédito: Renato Pinheiro

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