Salada Verde

Governo ameaça aplicar multas de 2008 para obter acordo

Expirou o decreto que adiava multas por desmatamento até 2008, o que permite ao Planalto usá-las para pressionar a bancada ruralista.

Redação ((o))eco ·
13 de setembro de 2012 · 14 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Governo quer evitar o que aconteceu no dia 5/09 (acima), apesar do número de parlamentares, falta de acordo inviabilizou a votação da MP do Código. Foto: Gustavo Lima/Agência Câmara
Governo quer evitar o que aconteceu no dia 5/09 (acima), apesar do número de parlamentares, falta de acordo inviabilizou a votação da MP do Código. Foto: Gustavo Lima/Agência Câmara

Governo sobe o tom com a bancada ruralista para tentar aprovar a MP do Código Florestal. Ontem, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), avisou que colocará a matéria na pauta de votação do plenário nos dias 18 e 19/9. É o último esforço para que a MP não caduque no
dia 8 de outubro. Se a MP perder a validade, o governo ameaça cobrar as multas aplicadas a produtores por desmatamento até julho de 2008. A informação foi divulgada hoje em nota da coluna de Ilimar Franco, em O Globo.

As multas são aquelas adiadas pelo decreto nº 6.514, de 22 de julho de 2008, prorrogado 5 vezes desde a sua edição. O decreto expirou no dia 11 de junho e uma interpretação é que as multas voltaram a valer. O governo está usando esta sombra para pressionar a bancada ruralista.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



O impasse para que o plenário da Câmara vote a MP gira em torno de qual texto será votado. O governo insiste em votar o texto original da medida provisória 571.

O texto sofreu modificações quando estava sendo analisado na comissão mista. Os ruralistas conseguiram aprovar uma emenda que retirava a proteção dos rios intermitentes, aqueles que secam em determinada época do ano. Para anular a emenda considerada desastrosa, a comissão negociou com a bancada ruralista uma regra que reduziu a proteção de margens de rio (até 15 módulos fiscais). No dia seguinte, o governo renegou o acordo da comissão mista.

Os ruralistas querem a aprovação do texto negociado na comissão mista. O governo sabe que no plenário eles ganham. Sem acordo no horizonte, a medida provisória poderá perder a validade no próximo dia 8.

 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Análises
18 de junho de 2026

Bonn: a batalha sobre representação e poder de agenda

Para os países mais vulneráveis, negociações climáticas podem significar proteção ou desamparo diante da crise do clima

Cerimônia de enterro no cemitério de Redenção após a ação conjunta das polícias Militar e Civil do Pará que terminou com dez pessoas mortas no município de Pau d'Arco, em 2017. Foto: Avener Prado / Folhapress
Notícias
18 de junho de 2026

Amazônia concentra violência fundiária e baixa punição de crimes ambientais

Dados compilados pela plataforma Crime Brasil mostram que estados com mais conflitos fundiários e desmatamento registram baixa punição por crimes ambientais

Reportagens
18 de junho de 2026

Os Woehl, a Mata Atlântica e os anfíbios – uma história de amor

Germano e Elza, premiados por seu trabalho em prol da conservação, dedicam sua vida e suas economias para proteger as florestas remanescentes do interior de Santa Catarina

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.