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Dia do Índio: Almir Suruí, eleito herói da floresta pela ONU

Em homenagem ao dia do índio, ((o))eco lembra a trajetória do povo Suruí, que luta pela preservação da terra e dos próprios costumes.

Redação ((o))eco ·
18 de abril de 2013 · 9 anos atrás
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Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
O cacique Almir Suruí, líder indígena do povo Surui. (Foto: Divulgação Metareilá/Povo Paiter-Surui).
O cacique Almir Suruí, líder indígena do povo Surui. (Foto: Divulgação Metareilá/Povo Paiter-Surui).
 

Na semana passada, o líder indígena Almir Suruí ganhou das Nações Unidas o prêmio de “Herói da Floresta”, pelo trabalho de conservação da Terra Indígena Sete de Setembro, que fica na fronteira entre os estados de Rondônia e Mato Grosso. Em homenagem ao Dia do Índio, instituído pelo presidente Getúlio Vargas há exatos 70 anos, ((o))eco relembra a história deste povo.

Almir Suruí é cacique do povo Paiter-Suruí, uma tribo que sofreu com a diminuição drástica de sua população. Em 40 anos após o primeiro contato com o homem branco, a população saiu de 5 mil habitantes para cerca de 290 pessoas e agora voltou a crescer, com cerca de 1300 índios espalhados por 25 aldeias.

A luta pela preservação do território, ameaçado por madeireiros, e da própria tribo exigiu estratégias inovadoras. Ao buscar apoio, a tribo conquistou reconhecimento internacional e se tornou uma ameaça a quem queria devastá-la. Desde 2003, Almir recebe ameaças de morte por denunciar a presença de madeireiros no território indígena.

Projetos inovadores em prol da conservação

De 2005 até agora, os índios já plantaram 140 mil mudas de árvores nativas na Terra Indígena Sete de Setembro. A iniciativa faz parte do projeto de venda de carbono intitulado “Carbono Suruí”, único programa de REDD+ (Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal) validado no Brasil.

“Todos os anos, os Suruís têm uma ‘safra’ de carbono não desmatado que é oferecido ao mercado. Nos próximos 30 anos, a quantidade de carbono que deixarão de gerar por evitar o desmatamento será de 8 milhões de toneladas”, explicou Ângelo Augusto dos Santos, um dos coordenadores do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, principal parceiro dos Suruís no projeto de REDD+, em reportagem da repórter Fabiola Ortiz, publicada em maio do ano passado aqui em ((o))eco.

De acordo com a reportagem, considerando um preço conservador de 5 dólares para a tonelada de carbono, a estimativa é de que os índios arrecadarão pelo menos 40 milhões de dólares. O projeto “Carbono Suruí” está previsto para durar três décadas e conservar uma área de 12 mil hectares.

Em 2011, os Suruís fizeram uma parceria com o Google. A história do povo, a riqueza do território e as tentativas de invasão da terra indigena são publicados no site da tribo. As fotos e mapas são feitas pelos próprios índios.

    Cerimônia de entrega do prêmio de herói da floresta. Discurso de Almir Suruí após 20 minutos de vídeo.

Foi através dessas parcerias e da criatividade do líder que o povo Paiter-Suruí tem conquistado reconhecimento internacional. Em 2008, Almir foi premiado pela Sociedade Internacional de Direitos Humanos, que conta com 30 mil membros, em 26 países. Em 2000, essa mesma honraria foi concedida ao Dalai Lama.  Ele também fez diversas denúncias à Organização dos Estados Americanos (OEA) de exploração ilegal de madeira nas suas terras indígenas. Em setembro de 2011, Almir Suruí discursou para chefes de Estado e de Governo dos 193 países-membros das Nações Unidas na sede da organização, em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU. E agora, recebe o prêmio da ONU de herói da floresta, em reconhecimento pelo seu trabalho de manter a floresta em pé.

 

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