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Após pressão da pesca de camarão, governo adia para 2027 entrada em vigor do PREPS

Criado há 20 anos, adesão ao Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite ainda sofre adiamentos

Redação ((o))eco ·
19 de janeiro de 2026
Salada Verde
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Após o setor pesqueiro ameaçar fechar os portos de Santos, Itajaí, Paranaguá e Rio Grande, o governo voltou atrás e adiou para janeiro de 2027 a entrada em vigor da norma que obrigava as embarcações de pesca artesanal que atuam na exploração de camarões marinhos a aderirem ao Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite (PREPS), proposta que, há 20 anos, tenta fazer o monitoramento eletrônico da pesca no país.

A norma revogada obrigava as embarcações de pesca de arrasto com tração motorizada que pescam camarões rosa (Penaeus paulensis, Penaeus brasiliensis e Penaeus subtilis), sete-barbas (Xiphopenaeus kroyeri), branco (Penaeus schmitti), santana ou vermelho (Pleoticus muelleri) e barba-ruça (Artemesia longinaris), a entrarem no PREPS, independente do comprimento total da embarcação, o que gerou manifestações contrárias dos pescadores, que acusaram a medida de adicionar custos elevados à pesca artesanal. 

Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o novo prazo só vale para embarcações menores de 15 metros ou com arqueação bruta igual ou inferior a cinquenta que atuem no Mar Territorial e na Zona Econômica Exclusiva nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. As embarcações maiores são obrigadas a já estarem no PREPS. 

“A decisão considera as condições reais da frota artesanal e garante tempo adequado para adaptação, mantendo a melhoria da gestão pesqueira”, declara, em nota, Carolina Dória, secretária Nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa da Pesca e Aquicultura. 

Ainda segundo o MPA, a frota camaroeira que opera com redes de arrasto de fundo nas Regiões Sudeste e Sul reúne cerca de 3.500 embarcações, das quais mais de 90% se enquadram como de pequeno porte e que serão beneficiadas pelo novo adiamento.

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