Salada Verde

Desacreditado durante a COP-27, Fundo para Perdas e Danos começa a sair do papel

Comitê de Transição se reúne pela primeira vez no Egito para definir objetivos, princípios e formas de operação do Fundo, que visa fornecer ajuda a países vulneráveis às mudanças climáticas

Cristiane Prizibisczki ·
27 de março de 2023
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Começou nesta segunda-feira (27) em Luxor, no Egito, a primeira reunião de operacionalização de um fundo para bancar perdas e danos climáticos em países subdesenvolvidos. Nos próximos três dias, 24 membros das Partes da Convenção do Clima e do Acordo de Paris, que compõem o chamado “Comitê de Transição”, vão discutir os objetivos, princípios e formas de operação do fundo. Esse comitê de transição era esperado para a COP de 2022, realizada também no Egito, mas discordâncias entre os países ricos atrasaram os trabalhos.

Perdas e danos é um conceito introduzido em 2012, depois de muita briga, durante a COP18, segundo o qual países pobres precisam receber recursos financeiros, tecnologia e capacitação para lidar com eventos extremos aos quais já não cabe adaptação, como a elevação do nível do mar em ilhas do Pacífico e enxurradas nas Filipinas. 

A parte do “receber recursos financeiros” foi a razão para o entrave nas discussões ao longo dos anos. O mecanismo financeiro seria constituído nos moldes do Fundo Verde do Clima, que funciona por meio de doações. Países ricos nunca gostaram da ideia, por acharem que pagar por perdas e danos pode virar uma espécie de reparação ou compensação pelas suas contribuições às mudanças no clima, como se estivessem assumindo a culpa e produzindo provas contra si mesmos.

Na COP27, a proposta de financiamento enfim entrou na agenda e sua aprovação significava, para muitos países, um sinal de que a Conferência não falharia mais uma vez. Após uma série de bloqueios dos EUA e outros países ricos, o Fundo foi finalmente aprovado.

Na reunião de Luxor, os membros do Comitê de transição vão definir tarefas e metas a serem cumpridas até COP28, em dezembro de 2023, para que o mecanismo seja efetivado.  O Comitê é composto por 10 membros de países desenvolvidos e 14 membros de países em desenvolvimento. O Embaixador Mohamed Nasr, negociador-chefe da COP27, presidirá o Comitê até a eleição de seus co-presidentes, em 27 de março.

  • Cristiane Prizibisczki

    Cristiane Prizibisczki é Alumni do Wolfson College – Universidade de Cambridge (Reino Unido), onde participou do Press Fellow...

Leia também

50209434097_d90e167a2f_o (2)
Notícias
23 de março de 2023

Puxadas pelo desmatamento, emissões brasileiras crescem duas vezes mais do que média global

Brasil falha no cumprimento da Política de Mudanças do Clima, mostra relatório. Emissões aumentaram 40% desde que país se comprometeu a reduzi-las

Reportagens
20 de março de 2023

Crise climática já prejudica ecossistemas no planeta todo

Novo relatório científico reforça a necessidade de substituição dos combustíveis fósseis e de uma transição energética com justiça social

Notícias
16 de novembro de 2022

Países pobres pedem criação de fundo para perdas e danos na COP 27

Bloco dos países em desenvolvimento demanda mecanismo financeiro nos moldes do Fundo Verde do Clima; EUA dizem que não aceitarão; ilhas ameaçam abandonar processo

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Comentários 1

  1. Cristiane, pretendo usar teu Artigo em minha Dissertação no Mestrado em Direito. Podes por favor me enviar mais informações sobre esse Fundo?