A OIM, Agência da ONU para as Migrações, e a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza anunciaram uma parceria inédita voltada para apoiar os municípios brasileiros na adaptação às mudanças climáticas.
O foco principal da iniciativa, que começou a ser desenhada durante a COP30 em Belém (PA), é mitigar o deslocamento forçado de populações afetadas por desastres ambientais através do uso de Soluções Baseadas na Natureza (SBN), que são ações que utilizam da biodiversidade para proteção de comunidades humanas contra impactos climáticos, conhecida como a Adaptação Baseada em Ecossistemas (AbE).
Essa atuação corresponde ao fato de que, nos últimos 25 anos, o Brasil registrou mais de 10 milhões de deslocamentos internos provocados por desastres climáticos, cenário agravado por eventos recentes como as enchentes no Rio Grande do Sul e a seca severa na Amazônia. Além dos impactos locais, o problema gera reflexos financeiros globais, já que o Relatório de Riscos Globais aponta os deslocamentos forçados como um dos dez maiores riscos para a economia mundial no curto prazo.
Segundo dados da plataforma AdaptaBrasil, que indicam que 66% dos municípios do país possuem baixa ou muito baixa capacidade de resposta a eventos climáticos extremos. Para preencher essa lacuna e subsidiar as prefeituras, a parceria lançou uma Nota Técnica desenvolvida para traduzir dados científicos em recomendações práticas de planejamento urbano.
Como suporte prático aos gestores públicos, o projeto destaca a Plataforma Natureza ON, uma ferramenta digital gratuita criada em parceria com o MapBiomas e Google Cloud que cruza dados de relevo e ocupação urbana para diagnosticar riscos e sugerir a solução natural mais adequada para cada território. Além disso, a iniciativa promove a capacitação por meio do curso online gratuito “Adaptação baseada em Ecossistemas em Instrumentos de Política Pública Municipal”, disponível na plataforma da Escola Virtual de Governo (EV.G/ENAP).
Alinhada ao Plano Clima Adaptação do Brasil, a cooperação reforça que investir na conservação de infraestruturas naturais é uma forma estratégica de proteção social e econômica das cidades brasileiras.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Projeto em Alta Floresta expande pontes artificiais que zeraram atropelamento de primatas
A instalação de oito novas estruturas de passagem de fauna no município reforça a bem-sucedida estratégia de conservação local para macacos amazônicos ameaçados →
Ibase aponta desafios da urbanização de favelas do Rio diante da crise climática
Levantamento com 10 mil moradores identifica problemas de arborização, drenagem, saneamento e manutenção em 18 favelas da capital do estado →
Gigante da carne em RO evita auditoria e MPF acusa 260 mil bois ilegais
Frigorífico Irmãos Gonçalves não apresenta dados para comprovar regularidade e análise automática aponta um terço de compras com problemas →
