Salada Verde

Movimentos sociais protestam contra falta de consulta às comunidades tradicionais na Bahia

Coletivos de pescadores e quilombolas protestaram na sede do Inema-BA contra licença de empreendimento em Boipeba e chefia do órgão ambiental

Duda Menegassi ·
13 de abril de 2023
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Representantes de coletivos de pescadores e quilombolas se juntaram na manhã desta quinta-feira (13) na frente do Instituto do Meio Ambiente e Recurcos Hídricos da Bahia (Inema-BA) contra a falta de consulta do órgão ambiental às comunidades tradicionais. Em especial, os coletivos manifestaram seu repúdio contra o empreendimento na ilha de Boipeba. A manifestação também pediu pela saída da atual gestora do Inema, Márcia Telles, nomeada no começo de fevereiro pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT). A diretora é uma antiga ocupante do cargo e ex-secretária de Meio Ambiente da Bahia. A decisão de reconduzí-la ao posto desagradou organizações socioambientais, que alertam para o desmonte ambiental no estado nos últimos anos.

Os manifestantes ocuparam parte do prédio do Inema, que fica em Salvador, numa ação organizada pela Articulação Nacional Quilombola (ANQ) e o Movimento de Pescadores e Pescadoras (MPP-BA). Segundo apurado por ((o))eco, a polícia também está presente no local, mas não há nenhum conflito e o protesto segue pacífico. No início da tarde, entretanto, os servidores que trabalhavam no prédio tiveram seu expediente suspenso.

Um relatório divulgado nesta quinta pelo MPP e ANQ denuncia que o “racismo ambiental é a marca do órgão licenciador da Bahia”.

A licença expedida pelo Inema para o megaempreendimento imobiliário em Boipeba, que tem sido acompanhado de perto por ((o))eco, gerou revolta pelo não cumprimento da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que exige a consulta às comunidades tradicionais afetadas.

“O empreendimento imobiliário Condomínio Ponta dos Castelhanos ameaça o ecossistema e os território das comunidades pesqueiras e quilombolas da Ilha de Boipeba, especialmente a comunidade pesqueira de Cova da Onça. Há um processo de licenciamento que não está levando em consideração a posição e a vida das comunidades, está favorecendo a grilagem de terras públicas da União e o desvirtuamento da APA Tinharé-Boipeba”, denuncia o texto das organizações, que pede que o Inema cancele as licenças e garanta o direito das comunidades.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

Leia também

Salada Verde
10 de abril de 2023

MPF e DPU cobram de Jerônimo Rodrigues (PT) cancelamento de megaprojeto em Boipeba

Caso contrário, Justiça pode ser acionada para cancelar de vez o empreendimento, licenciado pelo estado sobre terras públicas federais

Reportagens
15 de março de 2023

Projeto quer barrar licença para megaobra na ilha de Boipeba

Órgão público e empresa minimizam impactos socioambientais do projeto, que ganhou apoio do governador Jerônimo Rodrigues (PT)

Salada Verde
10 de março de 2023

Governo baiano autoriza resort de luxo que afetará Mata Atlântica e povoados tradicionais

A empreitada tem sócios como José Roberto Marinho, um dos herdeiros do Grupo Globo, e Armínio Fraga, economista e ex-presidente do Bacen

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Comentários 1

  1. Elder diz:

    Não é verdade q só 24% da Mata Atlântica tá preservada.
    Se o mínimo de cada propriedade é 20%, precisa considerar as centenas de parques, RPPN e todas as propriedades como a minha q tem 80% de preservação. A média é puxado pra cima com isso.