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Tefé não registra novas mortes de botos durante o final de semana

Pesquisadores correm para tentar descobrir causa da morte de 110 animais durante última semana. Operação de translocação de botos vivos não está descartada

Cristiane Prizibisczki ·
2 de outubro de 2023 · 3 anos atrás
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Após a mortandade inexplicável de botos no Lago Tefé (AM), durante a última semana, os pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, que coordena as operações de emergência no local, tiveram um final de semana mais tranquilo. Entre sábado e domingo não foram registradas novas mortes.

Entre o sábado (23) e a sexta-feira (29), 110 animais morreram nesta formação lagunar do rio Tefé, afluente do Rio Solimões. Do total de mortes, 70 delas ocorreram na quinta-feira (28).

Segundo a pesquisadora Miriam Marmontel, líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, os trabalhos durante o final de semana ficaram concentrados no resgate de carcaças antigas e no trabalho de necrópsia dos animais resgatados nos dias anteriores.

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Durante esta segunda-feira (2), especialistas em resgate de cetáceos vivos – membros da força-tarefa criada entre vários órgãos e organizações para acompanhar o caso – saíram em busca de animais vivos debilitados, que serão usados para coleta de amostras de sangue e monitoramento do comportamento dos animais impactados.

Amostras de sangue e tecidos foram enviadas a laboratórios de São Paulo e Rio de Janeiro e nos próximos dias os pesquisadores deverão ter uma resposta para a causa da mortandade. Dependendo do resultado, uma operação de translocação dos animais vivos para o Rio Solimões não está descartada.

Esta é a pior seca já registrada no Lago Tefé e a segunda pior dos últimos 13 na Amazônia como um todo.

Leito do Lago Tefé quase que completamente seco. Foto – André Zumak e Debora Hymans
  • Cristiane Prizibisczki

    Jornalista com quase 20 anos de experiência na cobertura de temas como conservação, biodiversidade, política ambiental e mudanças climáticas. Já escreveu para UOL, Editora Abril, Editora Globo e Ecosystem Marketplace e desde 2006 colabora com ((o))eco. Adora ser a voz dos bichos e das plantas.

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