Ele era dono da Mineração Pedra de Fogo Ltda. e tinha licença para explorar as jazidas de sílica da região, não os fósseis. O esquema foi descoberto e a Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP) encaminhou em 2000 um relatório ao Ministério Público exigindo providências. Coincidência ou não, em outubro do mesmo ano o Governo do Tocantins criou o Monumento das Árvores Fossilizadas, uma unidade de conservação de 32 mil hectares que engloba dezenas de fazendas onde foram encontrados os fósseis. Apesar dos saques, é a maior floresta petrificada do período Permiano no mundo. Existem parques semelhantes no Rio Grande do Sul e no estado americano do Texas, mas nenhum tem fósseis tão bem preservados como os de Filadélfia.
Segundo o paleobotânico Roberto Iannuzzi, do Departamento de Paleontologia e Estratigrafia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na região tocantinense de Filadélfia existiam também fósseis de vegetais primos das coníferas (Cordaitales) e de cavalinhas (Equisetales), mas esse material foi vendido para cientistas alemães, que publicaram estudos na revista científica Review of Paleobotany and Palynology. Na Alemanha o comércio de fósseis é legal, e os pesquisadores teriam comprado as peças de contrabandistas.
Mas há pesquisas que só nós podemos realizar. Como brincou o professor Roberto Iannuzzi, “as rochas, graças a Deus, eles não levam”. Ele se refere aos chapadões do parque, que junto com os fósseis fornecem pistas para a reconstituição do clima e da paisagem que existia na região há 260 milhões de anos. São os fósseis de plantas, e não os de animais, que permitem investigar os paleoclimas. “Florestas são indícios de um clima quente e úmido, uma vegetação mais pobre sinaliza a existência de um deserto”, explica o paleobotânico.
A preservação dos fósseis pode gerar renda para a população local. “Em vez de vender patrimônio a preço de banana, preservá-lo pode melhorar a qualidade de vida”, diz Roberto Iannuzzi, que cita como exemplo o município de Souza, na Paraíba, onde foram encontradas pegadas de dinossauros. Hoje a região é conhecida como Vale dos Dinossauros e o turista vê os rastros dos gigantes exatamente onde eles foram encontrados.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Quem são os atingidos por desastres?
Há mais de dez anos desde o rompimento da barragem em Mariana, em Minas Gerais (MG), faltam informações e sobram consequências →
Nascimento de filhote de harpia em reserva da Bahia é comemorado pela Ciência
Desde 2018 não eram registrados nascimentos na unidade. Filhote ativo no Corredor Central da Mata Atlântica é passo importante para evitar extinção →
Em homenagem ao cão Orelha, governo aumenta multa para quem maltrata animais
Novo decreto amplia de R$500 para R$ 1.500 valor da multa mínima em caso de maus tratos aos animais. Governo também estabeleceu a criação da Conferência Nacional de Direitos Animais →



