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Após 14 meses de queda, desmatamento na Amazônia tem aumento de 10% em junho

Apesar do cenário no último mês, no acumulado do primeiro semestre de 2024 a devastação registrada foi a menor desde 2017, diz Imazon

Cristiane Prizibisczki ·
25 de julho de 2024 · 2 anos atrás

Desde abril de 2023, a Amazônia vinha apresentando quedas consecutivas na destruição da floresta. Em junho de 2024, esse cenário mudou. Segundo o Sistema de Alertas de Desmatamento do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o desmatamento no bioma teve um crescimento de 10%, quando comparado ao mesmo mês de 2023, tendo registrado 398 km² de destruição. Os números foram divulgados na quarta-feira (24).

De acordo com o Imazon, apesar da ligeira alta, os números registrados estão abaixo da série histórica para junho e são bem menores do que os registrados durante os anos do governo Bolsonaro para o período. No mesmo mês de 2022, foram registrados 1.429 km² de desmatamento e, em 2021, 926 km, por exemplo.

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“O período mais seco do calendário do desmatamento ocorre entre os meses de maio a outubro, historicamente os valores são mais altos durante esses meses porque o clima propicia a prática do desmatamento. A Amazônia apresentou uma sequência de 14 meses consecutivos de redução, agora houve um aumento de 10% da devastação. Ainda assim, a taxa é baixa quando consideramos a série histórica para o junho. Devemos observar os próximos meses, os órgãos responsáveis devem seguir com as ações de combate para garantir o não aumento do desmatamento.”, explica Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.

Os estados que mais contribuíram para a destruição de floresta em junho de 2024 foram Amazonas (35%), Pará (26%) e Mato Grosso (15%), concentrando juntos 77% do total detectado na Amazônia Legal. Cinco dos dez municípios que mais desmataram estão localizados no Amazonas, e outros três no Pará.

Acumulado do ano

Apesar do cenário do mês de junho, no acumulado do primeiro semestre, 2024 registrou a menor área desmatada desde 2017. De janeiro a junho, foram destruídos 1.220 km², uma diminuição de 36% em relação ao mesmo período de 2023 e de 75% em relação ao primeiro semestre de 2022, último ano do governo Bolsonaro e quando foram desmatados 4.789 km² de floresta. 

Áreas protegidas

Quando o foco é nas áreas protegidas da Amazônia, a notícia é positiva. No primeiro semestre de 2024, o desmatamento nas unidades de conservação foi o menor dos últimos 10 anos, registrando 93 km², uma queda de 18% quando comparado com o mesmo período de 2023.

A área protegida com maior taxa de desmatamento foi a APA Triunfo do Xingu, no Pará, com 7 km² desmatados. Em seguida vem a APA do Tapajós, também no Pará, com 6 km² e, em terceiro, a Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, no Mato Grosso, com 3 km² de desmatamento registrados.

Além das UC’s, as terras indígenas da região também tiveram uma redução na destruição florestal no primeiro semestre, com 15 km² derrubados, a menor área registrada desde 2016. 

“Para que o desmatamento continue em tendência de queda, é necessário manter o ritmo de fiscalização nas áreas protegidas e focar nas regiões que ainda estão sob forte pressão ambiental. Qualquer redução nas ações de combate e controle podem acarretar no aumento da devastação nestes territórios novamente”, diz Larissa Amorim.

  • Cristiane Prizibisczki

    Jornalista com quase 20 anos de experiência na cobertura de temas como conservação, biodiversidade, política ambiental e mudanças climáticas. Já escreveu para UOL, Editora Abril, Editora Globo e Ecosystem Marketplace e desde 2006 colabora com ((o))eco. Adora ser a voz dos bichos e das plantas.

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