Nações presentes na 15ª Conferência das Espécies Migratórias, realizada durante esta semana sob a presidência brasileira em Campo Grande (MS), lançaram na quarta-feira (25) uma Iniciativa Global Sobre a Captura de Espécies Migratórias. Considerada um avanço significativo contra a perda de biodiversidade, a iniciativa visa fornecer apoio coordenado a governos e parceiros no enfrentamento da captura ilegal e insustentável destes animais.
O lançamento da iniciativa – conhecida por sua sigla em inglês, GTI – responde diretamente a apelos feitos por cientistas e por membros da Convenção das Espécies Migratórias (CMS) em anos anteriores, que solicitaram medidas para enfrentar este tipo de captura.
Embora a atenção global frequentemente se concentre no tráfico internacional de vida silvestre de alto valor, evidências mostram que uma porção muito maior de espécies é ameaçada pelo uso doméstico e por cadeias de suprimento locais.
A GTI foi concebida justamente para preencher esta lacuna crítica do comércio doméstico de espécies, antes que as pressões se intensifiquem em exploração comercial em larga escala ou comércio internacional.
“Esta nova iniciativa apresenta uma oportunidade significativa de transformar os sistemas e comportamentos que possibilitam a captura ilegal e insustentável, uma das ameaças mais relevantes às espécies migratórias globalmente”, disse Melanie Health, diretora da TRAFFIC, uma organização não governamental internacional que monitora o comércio de plantas e animais silvestres ao redor do globo.
A ideia é que a Iniciativa Global Sobre a Captura de Espécies Migratórias complemente e fortaleça os esforços existentes sob a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) e outros marcos internacionais, ao mesmo tempo que se concentra explicitamente nos vetores domésticos de captura ilegal e insustentável, em políticas nacionais e marcos legais, além de abordagens de redução da demanda adaptadas aos contextos locais.
As áreas centrais de trabalho da Iniciativa incluirão:
- Aprimoramentos de dados e conhecimento sobre uso doméstico, cadeias de suprimento e limites de sustentabilidade
- identificação e enfrentamento de lacunas políticas, legais e de fiscalização em nível nacional
- apoio e engajamento com Povos Indígenas e comunidades locais
- fortalecimento da educação, conscientização e esforços de redução da demanda para prevenir a sobreexploração
Ao fortalecer marcos nacionais e enfrentar fatores socioeconômicos e culturais que impulsionam o uso, a iniciativa pretende ajudar os países a cumprir seus compromissos sob o Marco Global de Biodiversidade Kunming–Montreal, especialmente no que se refere ao uso sustentável, à recuperação de espécies e à prevenção de extinções.
Confira o lançamento da iniciativa na Plenária da tarde de ontem na 15 COP da CMS.
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