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Câmara aprova regime de urgência para PL que reduz APA da Baleia Franca, em SC

Com isso, projeto de lei que exclui parte terrestre da Área de Proteção Ambiental (APA) no litoral catarinense pode ir direto ao Plenário para votação

Duda Menegassi ·
2 de julho de 2026

Nesta quarta-feira (1º) a Câmara dos Deputados aprovou o requerimento de regime de urgência na tramitação do Projeto de Lei 849/2025, que exclui da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca, no litoral de Santa Catarina, toda sua porção terrestre. Pesquisadores e ambientalistas alertam que a proposta abre caminho para especulação imobiliária e ameaça não apenas a biodiversidade costeira, mas também o modo de vida de comunidades tradicionais que habitam a região.

O PL 849/2025 é de autoria da deputada federal catarinense Geovania de Sá (PSDB/SC), assim como o requerimento de urgência, aprovado por 279 votos a 162, com apenas uma abstenção. Com isso, a pauta pode ir direto para deliberação na Plenária da Câmara, sem necessidade de seguir o rito de análise nas comissões.

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Em sua justificativa para a tramitação acelerada, Geovania destaca as “milhares de propriedades já consolidadas dentro dos limites atuais da APA” e que, conforme alega a deputada, muitas delas “enfrentam risco iminente de demolições”.

“O projeto diz que isso vai ocorrer para regularizar a situação de famílias que estão na região, mas não vai. Porque o que torna as famílias irregulares na região não é a APA é a APP, Áreas de Preservação Permanente, que é outra legislação. E a APA da Baleia Franca, inclusive, está trabalhando para regularizar tudo que for possível de ser regularizado”, contrapõe o gestor da APA, Stéphano Diniz Ridolfi, em vídeo nas redes sociais da unidade de conservação (UC). A redução, de acordo com o analista ambiental, seria um grande retrocesso e não resolveria o problema das famílias, resume.

Uma Área de Proteção Ambiental pertence à categoria de Uso Sustentável, sendo o tipo de unidade de conservação mais permissivo ao uso, inclusive posse e usufruto de terceiros e propriedades particulares. A APA tem como objetivo central fazer o ordenamento da paisagem e garantir a organização da ocupação humana, de forma a assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais.

Praia do Rosa, no município catarinense de Garopaba. Parte da APA da Baleia Franca. Foto: Renato Soares/MTur
Praia do Rosa, no município catarinense de Garopaba. Parte da APA da Baleia Franca. Foto: Renato Soares / MTur

Áreas de Preservação Permanente, ou APPs, são dispositivos do Código Florestal brasileiro e visam proteger ambientes ecologicamente sensíveis e importantes para garantir a segurança hídrica, como dunas, manguezais, restingas, margens de rio, topos de montanha e nascentes. 

A APA da Baleia Franca, criada em 2000, possui uma área total de cerca de 156 mil hectares, sendo quase 80% em território marinho. Seu território protege tanto as enseadas com maior concentração de baleias-francas (Eubalaena australis) quanto áreas terrestres de costões rochosos, manguezais, restingas, dunas, banhados e lagoas, igualmente relevantes para diversas espécies – e para populações extrativistas – ao longo de aproximadamente 130 quilômetros da costa centro-sul catarinense, de Florianópolis à Rincão.

O PL retiraria cerca de 34 mil hectares da APA, excluindo do status de proteção “toda a faixa terrestre a partir da linha de preamar” (limite que marca até onde “vai” o mar durante as marés mais altas). Isso significa desproteger porções de dunas, manguezais, restingas e remanescentes de Mata Atlântica do litoral sul catarinense.

O turismo de observação de baleias na APA é um dos grandes destaques na APA, que é a unidade de conservação federal mais visitada do país, com mais de 9 milhões de visitantes em 2025.

Um abaixo-assinado em defesa da área protegida foi organizado pela Rede de Apoiadores da APA da Baleia Franca (APABF) e, até o momento do fechamento deste texto, somava mais de 8 mil assinaturas. 

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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