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ONGs se juntam por novas áreas protegidas marinhas nos mares brasileiros

Proposta de mosaico de unidades de conservação visa proteger faixa de cerca de 1.500 km de montanhas submarinas, entre Ceará e Rio Grande do Norte

Duda Menegassi ·
18 de agosto de 2026
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Uma cadeia de montanhas submarinas que se estende por 1.500 quilômetros debaixo das águas brasileiras, entre o litoral do Ceará e o Rio Grande do Norte, pode virar três novas áreas protegidas marinhas do Brasil. A proposta, que já tramita internamente no ICMBio, inclui uma Área de Proteção Ambiental (APA) e dois Refúgios de Vida Silvestre (REVIS), que formariam um mosaico de unidades de conservação de proteção integral e uso sustentável. Organizações socioambientais manifestaram apoio à proposição, destacando o papel da área na manutenção das populações de peixes e no manejo da pesca – tanto artesanal quanto industrial.

Essas montanhas submarinas fazem parte dos complexos geológicos das Cadeias de Fernando de Noronha e Norte do Brasil. O conjunto das unidades de conservação (UCs) dos Montes Oceânicos contribuirá para criar um ambiente seguro para reprodução de peixes de alto valor comercial, “abastecendo” as regiões mais próximas à costa, destacam as organizações. 

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“Proteger os Montes Oceânicos é também proteger a nossa costa. Essas áreas estão conectadas aos ecossistemas costeiros e sua conservação contribui para aumentar a resiliência dos recifes de coral frente às mudanças do clima, manter os estoques pesqueiros e gerar benefícios para as comunidades que dependem do mar e para toda a sociedade. É uma oportunidade de agir de forma preventiva, com base na ciência, antes que esses ambientes sofram impactos mais difíceis de reverter”, defende Marina Corrêa, líder de Oceano do WWF-Brasil, uma das organizações que manifestou apoio à proposta. 

Junto com o WWF-Brasil nesse pleito estão a Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil), Instituto Recifes Costeiros (IRCOS), Instituto TerraMar, Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (NEMA), Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras – Regional Ceará e Piauí (CPP), Instituto Internacional ARAYARA e Aquasis.

Além disso, a criação das UCs, que ocupariam, somadas, cerca de 18,2 milhões de hectares, ajudará o Brasil a cumprir a meta internacional de ter 30% das suas áreas marinhas protegidas até 2030.

Conforme detalhado no estudo que embasa a proposta, a APA dos Montes Oceânicos das Cadeias de Fernando de Noronha e Norte do Brasil abrangeria um total de 16,1 milhões de hectares; enquanto cada um dos dois Refúgios de Vida Silvestre teria cerca de 1 milhão de hectares.

Mapa das UCs marinhas propostas. Imagem retirada do estudo técnico que embasa a proposta/ICMBio

Essas montanhas submarinas de origem vulcânica estão localizadas na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Brasil, ou seja, em águas brasileiras. A região é considerada um oásis marinho de altíssima produtividade biológica, com águas ricas em nutrientes e um megaecossistema recifal. Por lá já foram documentadas espécies como o  coral-cérebro-gigante (Montastraea cavernosa), bancos de rodolitos e os registros mais profundos de coral-de-fogo (Millepora alcicornis), além de espécies como o mero (Epinephelus itajara), criticamente ameaçado de extinção, o tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) e o pargo (Pagrus pagrus). As formações abrigam ainda mais de 60% da população mundial da ave pardela-de-bico-preto (Ardenna gravis).

O objetivo da proposta das UCs é assegurar a proteção dos ecossistemas marinhos profundos e que recebem pouca luz, “contra as pressões e danos decorrentes da pesca ilegal, irregular e não reportada, além dos danos relacionados a atividades com elevado potencial de impacto ambiental, particularmente a mineração e a exploração de petróleo e gás nas áreas vulcânicas onde se localizam os montes oceânicos”, detalha o estudo que cita ainda práticas danosas como a pesca de arrosto de fundo industrial e o colapso dos estoques pesqueiros. 

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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