Salada Verde

A grande jornada das tartarugas

Pesquisadores desvendam as rotas utilizadas pelas tartarugas-de-couro no Atlântico Sul. Estudo mostra que sobrevivência da espécie está ameaçada.

Redação ((o))eco ·
7 de janeiro de 2011 · 15 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Tartaruga-de-couro em uma praia da América do  Sul. (foto: Matthew Witt)
Tartaruga-de-couro em uma praia da América do Sul. (foto: Matthew Witt)

Em um estudo que durou cinco anos, pesquisadores do Centro Ecologia e Conservação (Cornwall) da Universidade de Exeter, Inglaterra, identificaram o caminho seguido pelas tartarugas-de-couro (Dermochelys coriacea) através do Atlântico Sul. Eles monitoraram via satélite as viagens de 25 fêmeas e puderam obter detalhes de três rotas de migração, a maior delas com 7.563 quilômetros, entre a costa da África Central e a América do Sul. A pesquisa foi publicada na edição desta quarta-feira do periódico científico Proceedings of the Royal Society B.

Os resultados vieram também com um alerta: as rotas estão ameaçadas pela atividade pesqueira. Estudos anteriores já haviam demonstrado que para cada mil anzóis colocados na água pelo menos uma tartaruga é capturada acidentalmente. “Conhecer as rotas do Atlântico também nos ajudou a identificar pelo menos 11 nações que deveriam estar envolvidas nos esforços de conservação, bem como aquelas nações com frotas de pesca de longa distância”, afirmou o Brendan Godley, da Universidade de Exeter.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Clique aqui para ver o artigo completo (em inglês)

As tartarugas estudadas iniciam a migração no Gabão, África Central, onde está o maior colônia de reprodução destes animais do mundo. Um grupo segue até a área central do Atlântico Sul, outro chega ao Uruguai e o terceiro segue para o sul do continente africano. Elas permanecem nestas regiões entre 2 e 5 anos, enquanto criam reservar de energia para voltar ao Gabão e se reproduzir mais uma vez.

De acordo com Matthew Witt, também da Universidade de Exeter, o número de tartarugas que optam por cada uma destas estratégias varia de um ano para outro. “Nós não sabemos o que influencia essa escolha ainda, mas sabemos que são viagens verdadeiramente notáveis – com uma fêmea se guiando por milhares de quilômetros em linha reta através do Atlântico”, destaca.

As informações podem a ajudar a definir áreas prioritárias para a preservação das tartarugas-de-couro, como praias de desova, áreas de alimentação e no alto mar. Os cientistas esperam evitar que no Atlântico, estes bichos sofram o mesmo declínio que ocorre no Oceano Pacífico, onde a população sofreu foi reduzida vertiginosamente nas últimas três décadas. Em uma colônia de nidificação do México, por exemplo, o número de tartarugas caiu de 70.000 em 1982 para apenas 250 em 1998 e 1989. As razões deste declínio ainda não estão claras, mas os cientistas acreditam que ele possa estar relacionado à coleta de ovos e a pesca costeira com redes e espinhéis.

Este mapa mostra três rotas de migração monitoradas durante a pesquisa.
Cada uma ilustra um dos três estratégias identificadas pelos estudos.

A pesquisa contou com a ajuda dos Parques Nacionais do Gabão, da Sociedade para Conservação da Vida Selvagem, da Parceria de Tartaruga Marinha para o Gabão e da Iniciativa para Conservação das Tartarugas-de-couro. Os estudos contaram também com ajuda financeira de diversos doadores, como o Conselho de Pesquisa do Ambiente Natural da Inglaterra, a Iniciativa Darwin, o Centro de Investigação do Grande Pelágico (LPRC, EUA), Programa de Bolsas Competitivas e da Associação Europeia de Jardins Zoológicos.(Vandré Fonseca)

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
7 de abril de 2026

Lei que proíbe pesca em Mato Grosso não tem base científica, diz WWF-Brasil

Em nota técnica, ong afirma que estudos que sustentam criação da lei não demonstram que há sobrepesca e que principais impactos são barragens e expansão hidroviária

Análises
7 de abril de 2026

Poluição por plásticos: esforços por um tratado global e o Brasil

É necessário que, ao desenvolver o seu Mapa do Caminho com vistas à redução da dependência de combustíveis fósseis, o Brasil inclua a redução da produção de plástico

Análises
7 de abril de 2026

Montes submarinos: o elo invisível que pode redefinir o futuro da conservação marinha

A COP15 da CMS entra para a história: comunidade internacional começa a enxergar o que sempre esteve escondido sob as águas. E, finalmente, agir à altura dessa descoberta

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.