Pesquisadores canadenses da universidade Dalhousie, em Nova Scotia, publicaram em 22 de setembro, o primeiro mapa de qualidade do ar que baseia-se no rastreamento de material particulado, chamado de PM2.5, com base na coleta de dados de 2001 a 2006.
A novidade do mapa está em oferecer não a visão mais acurada da poluição do ar, mas uma abrangência global, com estimativas e medidas feitas em países em desenvolvimento que não possuíam esse mapeamento até agora. O mapa exibe grandes concentrações de PM2.5 nas faixas que vão do Norte da África, no deserto do Sahara até a parte leste da Ásia, enquanto os EUA possuem níveis mais baixos, apresentando aglomerados de ar com pior qualidade sobre algumas áreas urbanas. Quando comparado com outros mapas, como o de densidade populacional global, as novas informações mostram que mais de 80% da população mundial está em contato com ar poluído, ou seja, ar que ultrapassa as recomendações gerais, de 10 microgramas por metro cúbico, estipuladas pela Organização Mundial de Saúde.
Mapa produzido pela NASA mostra em amarelo e vermelho as áreas com maior concentração de material particulado

Aaron van Donkelaar e Randall Martin, responsáveis pelo estudo, criaram o mapa unindo técnicas de medições de quantidade de aerosol na coluna de ar feitas por dois satélites da NASA com informações sobre a distribuição vertical de aerosóis criadas em modelos teóricos de computador. O novo mapa utilizou recursos que minimizam as dificuldades nas medições das PM2.5 para gerar uma perspectiva global da situação do ar. Porém, a distinção entre partículas próximas à superfície e àquelas da alta atmosfera ainda é muito difícil para instrumentos dos satélites, além das dificuldades ocasionadas pela cobertura de nuvens, neve, areia e áreas urbanas, logo as medições ainda não são extremamente acuradas.
As PM2.5 possuem tamanho extremamente reduzido, de 2,5 micrômetros ou até menos, um décimo do diâmetro de um fio de cabelo humano. Por seu tamanho, tornam-se problemáticas ao penetrarem facilmente no sistema respiratório , ocupando os pulmões e outros órgãos. As partículas finas estão presentes por toda a atmosfera terrestre e são emitidas por fontes naturais e por ação humana, embora ainda não se saiba exatamente a contribuição exata de ambas. As partículas geradas pela ação humana predominam em áreas urbanas, ou seja o ar que está em contato com as populacões, causando problemas graves de saúde, como asma, doenças cardiovasculares, bronquite e mortes. (Laura Alves)
A trajetória da fumaça
Confira mais sobre o mapa: http://www.nasa.gov/topics/earth/features/health-sapping.html
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Só 1% do orçamento foi destinado ao clima por candidatos a governador que buscam permanecer no poder na Amazônia
Em cinco estados da Amazônia Legal, candidatos à reeleição e políticos que assumiram o governo durante o atual mandato disputam a permanência no cargo. Apesar de todos citarem a agenda climática em seus planos de governo para 2026, juntos, os cinco governos empenharam apenas 1,3% do orçamento em despesas relacionadas ao tema desde 2023: R$ 6,4 bilhões, contra R$ 475 bilhões em gastos não relacionados ao clima →
Futuros governadores têm desafio de recuperar o Cerrado, berço das águas
As candidaturas ao governo dos estados receberam uma lista de propostas concretas para recuperar as bacias hidrográficas do bioma que abastece oito das doze grandes bacias do país →
Muito do futuro da conservação da natureza se decide no Congresso
Desmonte socioambiental e passivo institucional são apenas algumas das decisões que podem ser barradas ou avançadas no Legislativo →
