No dia 2 de agosto, o Ibama anunciou o início da Operação Dinizia em Rondônia que, nas palavras de um comunicado oficial, visa “coibir ilícitos ambientais relativos à exploração e industrialização ilegal de produtos e subprodutos florestais”. A operação será feita em parceria com o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), a Polícia Federal, o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), a Força Nacional de Segurança e a Polícia Rodoviária Federal.
O foco da ação se concentrará no combate aos chamados “créditos virtuais” e no esquentamento de madeira proveniente de terras indígenas e unidades de conservação do estado, especialmente nos distritos Jaci-Paraná, Vista Alegre do Abunã, Extrema e Nova Califórnia. Rondônia possui cerca de 1500 madeireiras. 80 delas ficam nos quatro distritos onde se concentram as ações da Operação Dinizia.
A função do chamado crédito virtual é “legalizar” madeira roubada, ilegal. De acordo com uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o índice de conversão, ou seja, de aproveitamento da tora, é de 45%. Quando o madeireiro aproveita menos do que isso, esquenta madeira e vende o crédito restante por m3, que chega a custar R$ 400 (o preço do m3, fora deste esquema de corrupção, gira em torno de R$ 600).
César Luiz da Silva Guimarães, superintendente estadual do Ibama em Rondônia, conta que as suspeitas do esquema começaram a partir da observação de que ao mesmo tempo em que o índice de desmatamento no estado diminuía, a venda de madeira aumentava. “Percebemos que havia algo de errado. Foram 18 meses de investigação em um trabalho de inteligência até identificarmos um mercado negro”.
Em uma semana de ação, a Operação Dinizia já fiscalizou 40 madeireiras. Deste total, onze apresentam indícios de irregularidades e quatro estão, definitivamente, agindo de forma ilegal. Os proprietários foram denunciados criminalmente por falsidade ideológica, formação de quadrilha, falsificação de documento público e poderão ser presos, além de terem que pagar uma multa.
Mais de 100 espécies de árvores têm sido retiradas na região de forma ilegal, entre elas Faveira Ferro, Taoarí, Angelim e Maracatiara. A detecção do corte é uma das dificuldades enfrentadas pela fiscalização, já que madeireiros fazem a derrubada de uma árvore às vezes com quilômetros de distância da outra. Visto do alto, o local do crime pode parecer floresta intocada. “A quantidade de dinheiro que corre neste esquema é incalculável. Estamos falando de milhões e milhões de reais”, explica o superintendente.
De acordo com ele, 130 pessoas de diversos órgãos atuam em conjunto na Operação, que não tem data para terminar. “Todos estão muito bem treinados, equipados e preparados com boa infraestrutura. Estamos em uma guerra de igual para igual contra o crime organizado”. Ele diz que a equipe chegou a receber ameaças. “Já ouvimos que ninguém tem peito de ferro. Se alguma coisa acontecer, aí sim que intensificaremos o trabalho”. (Karina Miotto)
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