Análises

Orangotangos: caçados e exterminados desde a pré-história

Eles devem ser nossos primos, dos quais divergimos há milhões de anos. Mas apesar da semelhança, os aniquilamos sem a menor cerimônia.

Fabio Olmos ·
1 de outubro de 2012 · 14 anos atrás

Esse é Fio, um bebê orangotango-de-bornéu Pongo pygmaeus que conheci, junto com sua mãe, Feb, no Parque Nacional Sabangau, em Central Kalimantan (Indonésia).  Fio é um dos cerca de 50 mil remanescentes selvagens de sua espécie, que declinou pelo menos 50% nos últimos 50 anos. Orangotangos ocorriam na Ásia continental, Sumatra e Bornéu, mas humanos (já na pré-história) os caçaram até a extinção no continente e nas ilhas até que restassem populações apenas em habitats de difícil acesso.


Clique para ampliar

A linhagem evolutiva que deu origem aos orangotangos atuais se separou da nossa entre 15,7 a 19,3 milhões de anos atrás. Mas nossos primos compartilham conosco uma inteligência elevada e autoconsciência, certamente em nível comparável a crianças humanas. Isso deveria ser suficiente para os considerarmos seres sentientes, e não comida, e terem o equivalente aos “direitos  humanos” dados a gente menos merecedora.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Sabangau abriga uma das maiores populações de orangotangos. É uma fantástica área de floresta sobre turfa, um habitat muito particular cuja destruição para implantar plantações de palma tornou a Indonésia um dos maiores emissores de gases de efeito estufa. Paradoxalmente, alguns desses projetos receberam créditos de carbono através do mal concebido Clean Development Mechanism.

O Orangutan Tropical Peatland Project (Projeto do Orangotango das Turfas Tropicais) realiza pesquisas e trabalha em prol da conservação de Sabangau e seus habitantes, e aceita voluntários. Vale a pena visitar.


Autor deste blog, Fabio Olmos é biólogo e doutor em zoologia. Tem um pendor pela ornitologia e gosto pela relação entre ecologia, economia e antropologia. Seu último livro, sobre ecossistemas brasileiros e conservação, é Espécies e Ecossistemas.
 
 
  • Fabio Olmos

    Biólogo, doutor em zoologia, observador de aves e viajante com gosto pela relação entre ecologia, história, economia e antropologia.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
17 de julho de 2026

Justiça determina demolição de construções irregulares feitas por condomínio em Rebio

Sentença estabelece ainda recuperação da área degradada por estruturas construídas ilegalmente por condomínio dentro da Reserva Biológica de Guaratiba, no Rio de Janeiro

Salada Verde
17 de julho de 2026

Em meio à crise climática, Porto Alegre recebe sua primeira Semana de Ação Climática

Entre 20 e 26 de julho, a capital gaúcha vai discutir resiliência climática, enquanto vivencia os impactos das enchentes de 2024 e se prepara para enfrentar um ‘super El Niño’

Externo
17 de julho de 2026

Profetas do tempo: água, sementes e futuro no sertão da abundância

Saberes ancestrais e inovações sociais constroem um futuro sustentável no interior do Piauí. Segundo episódio: A revolução agroecológica

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.