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Granja Werneck: O Último Grande Refúgio Verde de BH

A Mata do Isidoro, conhecida como Granja Werneck, pode se tornar uma grande área protegida e melhorar a qualidade de vida de Belo Horizonte.

Tulaci Bhakti Faria Duarte ·
28 de agosto de 2013 · 8 anos atrás

Os encantos da Granja Werneck. Fotos: Tulaci Bhakti e Marcos Vinicios
Os encantos da Granja Werneck. Fotos: Tulaci Bhakti e Marcos Vinicios

A Mata do Isidoro, mais conhecida como Granja Werneck, é uma área de 950 hectares localizada na região norte de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, junto à divisa com o município de Santa Luzia. Esta região apresenta um grande potencial para se tornar um dos maiores parque urbanos do mundo, superando em duas vezes o tamanho do parque Cidade Dona Sarah Kubitschek (420 ha), localizado em Brasília (DF), considerado o maior parque urbano da América do Sul, e em quase três vezes o Central Park de Nova York (341 ha). Hoje, a maior área verde protegida da cidade é o parque das Mangabeiras localizado na região sul da capital com 240 hectares.

Sua história começa com a concessão da área pela prefeitura ao médico Hugo Werneck, em 1914, para a construção de um sanatório para tratamento de tuberculose na região, inaugurado em 1928. Segundo a história, Hugo teria vindo para Belo Horizonte devido ao clima da cidade, para se tratar de tuberculose. A partir da década de 70, o sanatório se tornou um asilo e passou para os cuidados da Igreja Católica com o nome Recanto Nossa Senhora da Boa Viagem. Compõe ainda a paisagem uma antiga pedreira instalada durante a década de 50 e diversos bairros implantados a partir dos anos 70 que margeiam a região, tanto de Belo Horizonte quanto de Santa Luzia.

A Granja Werneck é considerada a ultima fronteira verde da cidade por se tratar de uma região ainda conservada e de grandes proporções em tamanho, como já citado. Por ser um ecótono de Cerrado com Mata Atlântica (área onde são encontradas a flora e fauna pertencentes a dois ecossistemas fronteiriços) apresenta fisionomias de floresta estacional semidecidual, cerrado típico, cerradão e brejo. Esta situação torna possível a presença de espécies de flora e fauna específicas na região que necessitam de estudos para averiguar estado de conservação e para garantir o quanto antes medidas de proteção com consequente manutenção dos processos ecológicos.

Em relação aos recursos hídricos existem aproximadamente 280 nascentes, segundo levantamento da prefeitura, que dão origem a 64 córregos, entre eles o Córrego dos Macacos, considerado o ultimo curso d’água limpo de Belo Horizonte. Todos fazem parte da bacia do Córrego Isidoro que deságua no Ribeirão do Onça, que compõe a bacia do Rio das Velhas, alvo de programas de conservação no Estado. A vegetação e quantidade de cursos d’água locais criam um microclima diferenciado de outras regiões da cidade.

Caso se torne uma Unidade de Conservação poderá proporcionar atrativos variados como trilhas para caminhadas contemplativas, para aventura, ou mesmo para ir de um bairro a outro. Devido à localização da mata, ela já possui trilhas que as comunidades locais utilizam para diversos fins, inclusive práticas religiosas. Do outro lado, há também atividades degradadoras como descarte de resíduos e passagem de motos pelas trilhas. Por isso, atividades de educação ambiental poderiam envolver as escolas da região, comunidade e usuários. Afinal, em uma cidade que tem crescido de forma desenfreada, é importante que se entenda a importância da preservação de uma área deste porte, e não trata-la como um “monte de mato”.

Atividades ligadas à pesquisa não só podem como devem ser incorporadas à Unidade de Conservação, principalmente por estar dentro uma metrópole, onde muito se perde sem se dar conta. A Granja Werneck seria também um ótimo local para difundir a observação de aves, uma prática crescente no país, que funde educação ambiental, pesquisa e ainda contemplação do ambiente natural. No local, já foram inventariadas mais de 100 aves, e com mais pesquisas esse número pode crescer.

Para não falar do serviço ambiental mais básico da Granja: a beleza cênica para quem quer apenas observar, de dia ou de noite, quando aparece um céu estrelado difícil de ver em centros urbanos.
A criação da Unidade de Conservação é necessária devido ao histórico de invasões da região norte, desde os anos 90, por extensas áreas nas margens do Ribeirão do Onça, que anteriormente eram fazendas. Se a Granja Werneck se tornar um parque, a capital mineira ganhará não só um a maior área protegida urbana do país, como também um marco para os cidadãos de Belo Horizonte exercitarem o contato com a natureza e a sua proteção.

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