Dicionário Ambiental

Entendendo o Pampa

O Sul do País têm o seu bioma próprio. Neste guia ((o))eco desvendamos mais uma variação dos biomas brasileiros.

12 de maio de 2013 · 9 anos atrás

O Brasil é um país de dimensões continentais. E dadas tais dimensões, é lógico que compreenda diferentes biomas e ecossistemas. Em alguns casos, eles são exclusivos à sua extensão territorial. Em outros ultrapassam. Da Amazônia, temos a maior parte e “dividimos” com outros nove países. Já no caso do Pampa, seria mais correto afirmar que “emprestamos” do Uruguai e Argentina.

Na América do Sul, o Pampa (Pampas, Campos do Sul, Campos Sulinos ou Campanha Gaúcha) se estendem por uma área de aproximadamente 750 mil km², compartilhada por Brasil, Uruguai e Argentina. Aqui, ele ocupa 178.243 km² e está restrito ao estado do Rio Grande do Sul, aproximadamente 63% do território do estado e 2,07% do território nacional.

O termo Pampa originou-se do vocábulo indígena quéchua pampa, que significa “planície” , paisagem que lhe é mais comum, embora não única: lá se encontram de serras a planícies, de morros rupestres a coxilhas. Todos caracterizados por uma vegetação bem variada, onde predominam campos nativos, mas onde também há presença de matas ciliares, matas de encosta, matas de pau-ferro, formações arbustivas, butiazais, banhados, afloramentos rochosos.

O clima da região é o subtropical, isto é, de temperaturas amenas e chuvas com pouca variação ao longo do ano. O solo, fértil em sua maior parte, é bastante utilizado para a agropecuária: desde a colonização ibérica, a pecuária extensiva sobre os campos nativos tem sido a principal atividade econômica da região.

O Pampa abriga cerca de 3000 espécies de plantas, com notável diversidade de gramíneas (que ultrapassam 450 espécies), compostas, leguminosas (150 espécies) e muitas espécies de cactáceas.

A fauna também é bem diversa, com quase 500 espécies de aves e mais de 100 espécies de mamíferos terrestres. Abriga espécies endêmicas como o Tuco-tuco (Ctenomys flamarioni), o beija-flor-de-barba-azul (Heliomaster furcifer); o sapinho-de-barriga-vermelha (Melanophryniscus atroluteus) e outras, ameaçadas de extinção como o veado campeiro (Ozotocerus bezoarticus), o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), o Caboclinho-de-papo-branco (Sporophila palustris) e o picapauzinho-chorão (Picoides mixtus).

Ameaças históricas são a progressiva introdução e expansão das monoculturas e das pastagens com espécies exóticas que têm levado a uma rápida degradação e descaracterização das paisagens naturais. Estimativas do MMA de perda de hábitat dão conta de que em 2002 restavam 41,32% e em 2008 restavam apenas 36,03% da vegetação nativa do bioma Pampa (veja o infográfico ((o))eco Metade do Pampa já foi perdido).

A criação de mais unidades de conservação (apenas 3,3% das áreas do bioma estão protegidas), a recuperação de áreas degradadas e a criação de mosaicos e corredores ecológicos são ações prioritárias para a conservação do Pampa, juntamente com a fiscalização e educação ambiental. Um caminho para garantir a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sócio-econômico da região.

 

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