Fotografia

Fotografia de alta velocidade “congela” movimento de animais

A natureza desvendada na fração impossível do bote da cascavel ou da aranha que ataca a mosca, até as asas congeladas de uma bela ave.

Hudson Garcia ·
7 de agosto de 2012 · 14 anos atrás

A fotografia é uma atividade que, em essência, se dá em uma fração de segundo. A maioria das imagens é feita utilizando velocidades em torno de 1/125 de segundo. Já a fotografia de alta velocidade empresta ao termo “fração de segundo” um novo significado, pois pede velocidades de 1/25.000 avos de segundo, para que possamos congelar e visualizar detalhes antes impossíveis de ser vistos.

A técnica é complexa, pois envolve sensores de movimento, que substituem o reflexo humano, pois este é lento demais para acionar a câmera a tempo de registrar ações tão rápidas. Flashes ultrarrápidos completam o equipamento capaz de paralisar o movimento da imagem.

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Comecei a pesquisar o tema em 1996 e me senti fascinado com a possibilidade de utilizar esta técnica no registro da nossa fauna, mostrando assim cores, formas e texturas até então escondidas dos nossos olhos.

Minha investigação sobre a fotografia de alta velocidade data de 1998, mas só consegui desenvolver meus primeiros testes e o equipamento em 2005.

A dificuldade de realizar uma foto varia a cada situação. Tudo começa com uma meticulosa observação do comportamento animal, a cada caso, já pensando como o sensor de movimento vai funcionar. Busco um enquadramento bem delimitado e foco preciso. Devo prever exatamente como o animal irá agir e preparar tudo com antecedência.

Planejei por 10 anos a foto da cascavel que faz parte deste ensaio. Só a obtive recentemente. Primeiro, consegui que o CPPI (Centro de Pesquisa e Produção de Imunobiológicos), órgão que produz antiveneno aqui no Paraná, enviasse esta serpente ao amigo Julio Leite, um grande herpetólogo. Em seguida, delimitamos uma área para evitar que o animal escapasse.

O passo seguinte foi montar todo o equipamento e colocar a serpente no ponto certo. Então, com um balão cheio de água aquecida a cerca de 40º C provocamos o bote da serpente no ponto exato, para que tudo fosse capturado pela câmera. Depois de um dia inteiro de trabalho, aprovei 3 fotos.

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Hudson Garcia nasceu em Maringá, Paraná, em 27 de novembro de 1979. Começou a fotografar em 1994 e, desde então, se dedica à fotografia da natureza, produção de livros e exposições sobre a fauna e flora brasileira. Coautor do livro Parque Nacional do Iguaçu – Patrimônio Natural da Humanidade, já teve suas fotos publicadas em livros e revistas dentro e fora do Brasil. Após longa pesquisa, desenvolveu um equipamento voltado à fotografia de alta velocidade. Seu trabalho pode ser visto também no site hudsongarcia.com

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