Reportagens

Urucureá: o turismo já virou fonte de renda dos ribeirinhos

Esta vila alcançada somente por barco, desde Alter do Chão, recebe os turistas para vender seu artesanato e mostrar suas belezas cênicas

Marcio Isensee e Sá ·
11 de julho de 2013 · 13 anos atrás
Navegando no rio Arapiruns em direção a Urucureá. Foto: Marcio Isensee e Sá.

Cortando o rio Tapajós por duas horas de barco a motor, partindo de Alter do Chão e entrando pelo rio Arapiuns, alcança-se Urucureá, uma vila de ribeirinhos. Um pouco distante da sede, em uma pequena praia idílica, vive o Sr. José Juvenal Souza Tapajós, 55, com sua mulher Neusanira Silva Cardoso e os dois filhos, Nesias e José Adailton. A casa da família é construída de madeira e palha. Contrasta com a placa de energia solar instalada bem em frente à porta de entrada.

Nossa conversa roda em torno do artesanato produzido por Dona Neusanira e outras mulheres da comunidade. A cestaria feita com palha de tucumã (Astrocaryum aculeatum), uma palmeira nativa da Amazônia, é uma das fontes de renda desta família. Segundo D. Neusanira, no verão, época de maior movimento de turistas, a demanda aumenta e é possível vender dentro da própria comunidade. Nas outras épocas do ano, a melhor alternativa é comercializar com lojas de artesanato da região.

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Dona Neusanira faz parte do grupo de mulheres que produz artesanato. Foto: Marcio Isensee e Sá.
Enquanto José Juvenal conserta a rede de pesca, Dona Neusanira confecciona mais uma peça, observada pelo filho José Adailton. Foto: Marcio Isensee e Sá.
José Juvenal Souza Tapajós e a mulher Neusanira Silva Cardoso em frente a casa da família. Foto: Marcio Isensee e Sá.

Enquanto remenda sua rede de pesca, José sorri e diz: “os homens não são tão prendados quanto as mulheres pra fazer artesanato”. Por outro lado, ele é o principal guia da região e muitas agências de Alter do Chão o contratam para levar grupos a várias trilhas da região. Nascido em Urucureá, ninguém é melhor do que ele para guiar aventureiros que querem conhecer as belezas cênicas da região.

José e a família nunca se imaginaram morando na cidade ou fora de Urucureá. Entretanto, apesar do acesso só por barco, estão conectados com as atividades turismo de Alter do Chão. Perguntado sobre o que pensa do projeto de hidrelétricas do Tapajós, respondeu: “contanto que não suje a água do rio, pra mim está bom. Porque se sujar vai ser um problema para nós”.

Praia onde fica a casa de José Juvenal fica em um recanto idílico do rio Arapiuns. Foto: Marcio Isensee e Sá.

 

 

 

  • Marcio Isensee e Sá

    Marcio Isensee e Sá é comunicador e gestor de conteúdo, especializado em jornalismo e audiovisual socioambiental. Atua na lid... →

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