Institucional

Diagnóstico Interno de Diversidade da Associação O Eco

Redação ((o))eco ·
3 de fevereiro de 2026

Este diagnóstico apresenta o primeiro levantamento sistematizado de diversidade e representatividade realizado pela Associação O Eco. A iniciativa marca um passo importante no fortalecimento da transparência institucional e no aprofundamento do compromisso da organização com a reflexão crítica sobre quem são as pessoas que constroem, cotidianamente, o trabalho da associação.

A realização deste diagnóstico só foi possível a partir da implementação de uma nova metodologia de cadastro, iniciada em maio de 2025, aplicada a todas as pessoas que colaboram com a Associação O Eco. O formulário reúne informações detalhadas de perfil, atuação profissional e dados demográficos, respeitando os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e com adesão voluntária às perguntas de caráter sensível. Esse processo permitiu consolidar, pela primeira vez, uma base estruturada de informações, capaz de subsidiar análises mais qualificadas e decisões futuras.

O cadastro reúne informações de 52 pessoas colaboradoras, que atuam de diferentes formas na associação. Entre aquelas que responderam à pergunta sobre atuação principal, observa-se que a maior parte está diretamente envolvida com produção jornalística, incluindo texto, reportagem, fotografia, áudio e vídeo. Um grupo menor atua em atividades afins, como tecnologia, design gráfico, edição de conteúdos, áreas administrativas e financeiras, entre outras funções de suporte fundamentais para o funcionamento da organização.

Este relatório deve ser compreendido como um retrato de um momento específico, com as informações coletadas entre maio e dezembro de 2025, construído a partir das respostas fornecidas no cadastro, e não como um diagnóstico definitivo. Ele estabelece uma linha de base para reflexões internas, aprimoramento de práticas institucionais e para o desenvolvimento futuro de políticas voltadas à diversidade, equidade e inclusão no âmbito da Associação O Eco.

Regionalidade: região, estado e cidade de moradia

Os dados indicam uma forte concentração regional no Sudeste, que reúne 65,38% das pessoas respondentes. Esse resultado reflete, em parte, a histórica centralização de oportunidades profissionais, redes de comunicação e veículos jornalísticos nessa região do país. Em segundo lugar está a Região Norte (13,46%), território importante para uma organização que atua com jornalismo ambiental, considerando a centralidade da Amazônia para a agenda ambiental brasileira.

As regiões Centro-Oeste (9,62%), Nordeste (5,77%) e Sul (5,77%) aparecem com participação menor, o que aponta para um desafio estrutural de ampliação da diversidade territorial. Esses números sugerem oportunidades para estratégias ativas de descentralização, seja por meio de parcerias locais, programas de formação, bolsas ou estímulo à produção jornalística em territórios menos representados.

A visualização por estados e cidades reforça esse diagnóstico: há uma concentração expressiva em capitais e grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro, São Paulo e Manaus. Isso evidencia uma presença já consolidada em polos estratégicos, mas também a necessidade de avançar na inclusão de profissionais e colaboradores de cidades médias, pequenas e territórios mais periféricos do debate ambiental nacional.

Identidade de gênero

O gráfico sobre identidade de gênero mostra que a Associação O Eco possui uma composição majoritária de mulheres cisgênero (57,69%), seguida por homens cisgênero (34,62%). Esse dado é relevante em um campo historicamente marcado pela desigualdade de gênero, especialmente em posições de visibilidade, liderança e autoria.

Os dados sugerem avanços importantes, mas também aponta para a necessidade contínua de políticas internas que garantam segurança, reconhecimento e equidade para identidades de gênero diversas.

Orientação sexual e identidade LGBTQIAP+

Em relação à orientação sexual e identidade LGBTQIAP+ (lésbicas, gays, bissexuais, trans, queer, intersexo, assexuais, pansexuais e outras identidades), em um país onde 12% da população se identifica como LGBTQIAP+, 30,77% das pessoas se identificam como parte dessa comunidade, enquanto 63,46% responderam que não, e 5,77% preferiram não responder.

Ao mesmo tempo, o número de pessoas que optaram por não responder aponta para a importância de manter e aprofundar políticas de segurança institucional, confidencialidade e combate a discriminações, criando condições para que todas as pessoas se sintam confortáveis em declarar sua identidade, caso desejem.

Grupos Racializados

Os dados indicam que 23,08% das pessoas se identificam como negras (pretas e pardas), indígenas ou pertencentes a demais grupos racializados, enquanto 73,08% não se identificam como parte desses grupos. Outros 3,85% preferiram não responder.

Esse resultado evidencia uma sub-representação de pessoas negras, indígenas e de demais grupos racializados na composição da equipe e das pessoas que colaboram com a Associação O Eco. Trata-se de um dado especialmente sensível no contexto brasileiro, onde essas populações são desproporcionalmente afetadas por conflitos socioambientais e estão no centro das disputas por território, justiça ambiental e direitos humanos.

Nesse sentido, os dados reforçam a necessidade de ações afirmativas estruturadas e contínuas, voltadas à ampliação do acesso, da permanência e da visibilidade de pessoas negras, indígenas e de demais grupos racializados no jornalismo ambiental produzido e apoiado pela Associação O Eco.

Pessoas com deficiência (PcD)

O gráfico sobre deficiência indica que 92,31% das pessoas não se identificam como pessoas com deficiência, enquanto apenas 5,77% se identificam como tal, e 1,92% preferiram não responder.

Os dados mostram baixa representatividade de pessoas com deficiência. Recomenda-se aprofundar a análise sobre barreiras de acessibilidade — tanto físicas quanto comunicacionais e digitais — e incorporar metas claras de inclusão contínua.

Considerações finais

De forma geral, o primeiro diagnóstico de diversidade da Associação O Eco revela conquistas importantes em diversidade de gênero e presença LGBTQIAP+. Por outro lado, persistem desafios claros em termos de diversidade racial, territorial e de inclusão de pessoas com deficiência.

Esses dados oferecem uma base sólida para o planejamento de ações futuras, permitindo que a Associação O Eco fortaleça seu compromisso com a diversidade, a equidade e a representatividade, valores fundamentais para um jornalismo ambiental crítico, plural e conectado à realidade dos territórios brasileiros.

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