Nathália Clark
O evento foi uma parceria do Instituto Socioambiental (ISA), o Instituto Vitae Civilis (VC) e o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces), realizado nesta quinta-feira (11), em Brasília. Economia verde e governança, com objetivo de erradicação da pobreza mundial, são as duas principais pautas da conferência. Entretanto, para Abramovay a principal preocupação não deve ser apenas esta. “Não há a menor chance de se prosseguir no combate à pobreza se não houver um movimento drástico e radical de redução do uso dos recursos de energia e matéria”. Ou seja, se não houver uma mudança radical nos modos de produção, já que o modelo vigente é incompatível com a manutenção de serviços ecossistêmicos básicos.
O problema da economia verde é que o aumento da eficiência no uso de energia não compensa o aumento do consumo e do uso dos recursos. “Devemos rever os padrões a partir dos quais produzimos os alimentos. Temos que saber utilizar melhor as fontes de energia das quais dispomos. A maneira de produzir energia implica decisões que têm efeito de longo prazo”, concluiu Abramovay. De acordo com ele, o crescimento do PIB mundial segue na mesma proporção do uso em intensidade do carvão, por exemplo, um dos grande emissores de gases do efeito estufa.
Vida ‘decente’ depende dos serviços ecossistêmicos
O maior desafio da economia verde, portanto, é reduzir a intensidade material e energética na produção das riquezas. Mas isso só será possível se aqueles que respondem pela fatia maior do consumo o reduzirem drasticamente. “Isso significa que o grande desafio da Rio+20 é saber se serão criados mecanismos que se dirijam antes de tudo para a satisfação das necessidades básicas: um conceito incorporado pelas nações unidas, que corresponde a saúde decente, educação decente, enfim, uma vida decente”, concluiu o pesquisador.
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O especialista lembrou a situação mundial atual de exaustão física de recursos. Ele acredita que o sistema produtivo deve se voltar para uma vida “decente”. “As empresas devem se perguntar a respeito do real valor daquilo que criam, que não está somente nas contas da economia. Por exemplo, a indústria automobilística tem responsabilidade sobre o trânsito de São Paulo e sobre a qualidade do ar que a gente respira”, explicou Abramovay.
Tony Gross, sócio fundador do ISA, e Pedro Ivo Batista, conselheiro da Associação Alternativa Terrazul, não demonstraram muita confiança nos resultados práticos da conferência, mas ressaltaram a importância de garantir a participação plural e ampla da sociedade civil no processo de tomada de decisão de políticas públicas. “Nós não temos muitas expectativas com a Rio+20. Mas, em compensação, a expectativa é alta no sentido de oportunidade de diálogos e mobilizações entre a própria sociedade e intersetorial (sociedade, empresas, parlamento). Apostamos muito na sinergia da sociedade”.
Um dos poucos deputados presentes, Ivan Valente lembrou que decisões nacionais interferem no contexto mundial. “O que se viu aqui no debate do Código Florestal vai contra todos os compromissos e protocolos que o Brasil assinou. Uma bancada ruralista mandante é um ‘rombo no casco’ de quem quer ser protagonista. O país não pode querer liderar o debate ambiental se permitir a alteração do Código”, frisou.
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