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Inglaterra: energia de baixo carbono custará quase o mesmo

Uma calculadora desenvolvida por especialistas mostrou uma diferença de apenas 7,8% para construir uma matriz energética sustentável.

Eduardo Pegurier ·
29 de dezembro de 2011 · 15 anos atrás
Chegar a 2050 com toda a frota de carros ônibus usando baterias/hidrogênio não vai ser tão caro assim, diz cientista inglês. Foto: Leonid Mamchenkov
Chegar a 2050 com toda a frota de carros ônibus usando baterias/hidrogênio não vai ser tão caro assim, diz cientista inglês. Foto: Leonid Mamchenkov
Uma calculadora online desenvolvida à la software aberto gerou números que mostram que construir na Inglaterra, até 2050, uma matriz energética de baixo carbono custará 7,8% a mais do que repor a estrutura existente, intensiva em combustíveis fósseis.

Centenas de especialistas e um esforço extenso de revisão da literatura sobre o assunto estão por trás do desenvolvimento da ferramenta, que foi coordenado por David MacKay, consultor-chefe de ciência do Departamento de Energia e Mudanças Climáticas. A chamada Calculadora de Caminhos para 2050 permite formular e comparar custos de diferentes cenários energéticos no contexto inglês.

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No primeiro cenário não se faz praticamente nada para reduzir emissões de carbono até 2050. Ele custaria por ano, para cada inglês, 4.682 libras até o ano de 2050. Já no cenário intensivo em energias renováveis esse valor sobe para 5.050 libras. A diferença é de 368 libras a mais (7,8%). Ela não leva em consideração os custos para a economia do aquecimento global. De acordo com um dos estudos mais conhecidos sobre o assunto, o relatório Stern, esses danos custariam por inglês 6.500 libras – que se somariam aos custos para gerar energia. Sob esse ponto de vista, o cenário intensivo em energias renováveis sai barato.
 
A alternativa de baixo carbono considera que, em 2050, para o total de energia usada no país, 55% deverá ser eólica e todos os carros e ônibus serão movidos por baterias ou células de hidrogênio.

“O uso de energia inglês pode ser dividido aproximadamente por três: transporte, aquecimento e eletricidade”, diz MacKay. “Desses, o transporte é o que custa mais caro, pois milhões de pequenas usinas de energia estão andando por aí – carros e caminhões – que usam energia com baixa eficiência”.

Uma das apostas de MacKay, que também é professor de física na Universidade de Cambridge, é na melhoria de eficiência no uso de energia. Ele acredita que é mais barato revitalizar casas e prédios para reduzir o consumo de energia do que construir novas usinas de força.
MacKay chegou ao cargo que ocupa no governo depois de escrever um best-seller chamado Energia sustentável – sem enrolação (em tradução livre de Sustainable Energy – Without the hot air). Ele disponibilizou o livro de graça na internet. Até agora, já foram feitos 400 mil downloads e vendidas 40 mil cópias impressas. O texto também já foi traduzido por voluntários para japonês, alemão, espanhol, húngaro, polonês e francês.

via Guardian. ((o))eco faz parte da Guardian Environmental Network

  • Eduardo Pegurier

    Mestre em Economia, é professor da PUC-Rio e conselheiro de ((o))eco. Faz fé que podemos ser prósperos, justos e proteger a biodiversidade.

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