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Módulo Criosfera 1 inaugurado na Antártica

O trabalho de quase um mês no continente congelado é realizado com sucesso e o primeiro módulo nacional no interior do continente é ativado.

Flávia Moraes ·
12 de janeiro de 2012 · 14 anos atrás
O módulo Criosfera 1 na situação atual (antes da inauguração), ja com vários instrumentos e estação meteorlogica automatica instalada. Foto: Alexandre Alencar (UERJ)
O módulo Criosfera 1 na situação atual (antes da inauguração), ja com vários instrumentos e estação meteorlogica automatica instalada. Foto: Alexandre Alencar (UERJ)
Cientistas brasileiros inauguram nesta quinta-feira (12) o módulo científico Criosfera 1, em cerimônia a ser realizada às 19 horas em seu acampamento avançado, localizado a 84°S. Este é o primeiro módulo científico brasileiro no interior do continente antártico, pois o país possui apenas uma base na região da península.
 
Desde o dia 17 de dezembro de 2011, o grupo está trabalhando na Antártica, enfrentando sensações térmicas de até 42°C negativos. Todo o esforço valeu à pena, pois o trabalho de instalação de todos os equipamentos internos e externos do módulo foi concluído com sucesso e estão prontos para funcionar. As primeiras transmissões de dados meteorológicos, em fase de teste, foram enviadas via satélite na última semana para o INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (veja matéria).

Com uma estrutura de 6,30 m de comprimento, 2,60 m de largura e 2,5 m de altura, o módulo chega a um peso total de 3,5 toneladas. Para evitar o acúmulo de neve ao redor e permitir a passagem do vento foi elevado a 1,5 m do solo (foto 3 – credito Alexandre Alencar (UERJ). Com o envio diário por satélite dos dados meteorológicos coletados a intenção é obter análise sobre os reflexos dos poluentes gerados na América do Sul e outras partes do mundo no continente antártico.

Testemunho de gelo. Foto: Marcelo Arevalo (CECS-Chile), Divulgação
Testemunho de gelo. Foto: Marcelo Arevalo (CECS-Chile), Divulgação
O grupo de pesquisadores é composto pelos dez cientistas que estão na região junto ao módulo (84°S, 79°29’39″W), e mais sete que ficaram realizando trabalhos no chamado acampamento base, localizado na região da Geleira Union (79°46’S, 82°50’W).  Entre as principais atividades científicas estão: a perfuração das camadas de gelo sobre o continente antártico do acampamento avançado, a fim de obter os testemunhos de gelo que revelam a história da composição atmosférica do planeta (cilindros de gelo com cerca de 7 cm de diâmetro e 80 cm de comprimento – foto 2 – credito Marcelo Arevalo (CECS/Chile), Divulgação); a montagem e ativação do módulo Criosfera 1, que funcionará autônomo enviando dados meteorológicos durante todo o ano e o levantamento da morfologia; e investigação da dinâmica das massas de gelo da Geleira Union e como elas respondem as variações ambientais.

As condições meteorológicas que dificultaram o trabalho ao ar livre também interferem no retorno para casa. Os cientistas adiaram sua volta do acampamento avançado ao base, que devia ocorrer até o dia 20, para o dia 22 de janeiro. Isso resulta em uma chegada a Punta Arenas/Chile apenas a partir do dia 24 do mesmo mês, tornando o retorno ao Brasil no dia 25 inviável. “Os participantes da expedição estão cientes de que aqui não temos as facilidades do meio urbano, dependemos muito mais da natureza. Assim, ao partir para uma missão antártica, não podem esperar que tudo ocorra como planejado e que tenham data de volta exata”, explica o líder da expedição, professor Dr. Jefferson Simões (Centro Polar e Climático/Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

  • Flávia Moraes

    Jornalista, geógrafa e pesquisadora especializada em climatologia.

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