Com ajuda da chuva e de mais de 160 homens, foi controlado no último sábado (13) o incêndio de grandes proporções que destruiu parte do Parque Nacional da Serra do Cipó, na região Central de Minas Gerais. Para o ICMBio, a origem do incêndio foi criminosa. “Quem colocou fogo sabia exatamente onde colocar”, afirmar Edward Elias, analista ambiental e chefe substituto do Parque Nacional da Serra do Cipó.
Segundo dados preliminares do ICMBio, cerca de 7 mil hectares do Parque foram atingidos pelo fogo. Como a Parque Serra do Cipó tem 31.639 hectares, isso significa que 22% do parque queimou. O cálculo é impreciso. O total da área queimada só será conhecido depois, mas já se sabe que é o pior incêndio nos últimos 20 anos. “O nosso pessoal sobrevoa com o GPS ligado e tenta pegar o perímetro, para termos uma ideia inicial do dano. O que precisa ser feito depois é fazer uso de sensoriamento remoto, de imagem de satélite, para agente ver melhor a área […]. Uma avaliação mais aferida será feita usando imagem de satélite”, explica Edward Elias Júnior.
A situação se complicou na semana passada por causa do vento forte, que fez o fogo se alastrar de modo muito rápido. Além do vento, a ausência de chuvas piorou a situação. Fazia 4 meses que não chovia na região. Finalmente, a frente fria que tomou conta da região no feriado trouxe também a chuva, que ajudou no combate as chamas.
Além da chuva, o reforço das brigadas de outros parques foi fundamental para conter o fogo. Na quarta-feira, a direção do Parque já tinha acionado a Coordenação de Emergências Ambientais, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Brasília, alertando que o incêndio havia entrado no nível 3, caracterizado como de grande proporção. A Coordenação de Emergências Ambientais acionou estados, força-tarefa e o Parque contou com a ajuda dos bombeiros, da polícia militar e de brigadistas e voluntários de outras unidades de conservação para combater o fogo.
Ao todo, 6 aviões e 4 helicópteros também ajudaram a deter a queimada. O uso de aeronaves é essencial no combate ao fogo, pois a intensidade das chamas dificulta o trabalho dos brigadistas por terra e até coloca em risco suas vidas.
Com a queimada já controlada desde sábado, o pessoal do parque está monitorando as áreas de risco e analisando os impactos causados: “Nesse momento, 35 pessoas estão de prontidão na unidade. Entre brigadistas, analistas ambientais e o pessoal da gestão do parque”, conclui Edward Elias Júnior.
Canelas de emas no Parque do Cipó
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