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Venda de carros grandes dispara no Brasil

Em dez anos, venda de SUVs, picapes e furgões no país subiu de 167 para 791,8 mil unidades. Veículos maiores poluem e consomem mais. 

Redação ((o))eco ·
17 de janeiro de 2013 · 10 anos atrás

De 2002 a 2012, a venda de picapes, furgões e utilitários “esportivos” (ou SUVs, do inglês “Sport Utility Vehicle”) aumentou quase 5 vezes, de 167 para 791,8 mil veículos, de acordo com levantamento feito pelo Outras Vias com base em dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Os carros grandes são mais espaçosos e pesados e a explosão de vendas é uma tendência que não se limita ao país. Em diferentes partes do mundo hoje é fácil encontrar carros que parecem tanques de guerra ou estranhas espaçonaves. No exterior, a busca por veículos maiores marcou a última década, com o Hummer, um veículo de guerra adaptado para andar em cidades, tornando-se o veículo favorito de bilionários nos Estados Unidos.

 

As vendas cresceram e cresceram nos últimos anos. Ao mesmo tempo, porém, ambientalistas de diferentes países e demais interessados em qualidade de vida nas cidades, passaram a questionar o alto consumo de combustível e a consequente poluição gerada por veículos tão pesados, bem como o risco inerente de um aumento tão grande de massa em deslocamento. Carros mais pesados precisam de motores mais potentes, são mais difíceis de controlar e demoram mais para frear quando em alta velocidade. Consequentemente, além de queimarem mais combustível e sujarem mais o ar, representam um risco maior para pedestres, ciclistas e mesmo usuários de carros menores. No exterior, ganham força os debates em curso e propostas de adoção de políticas de restrição e controle de vendas, bem como de taxação maior de veículos que poluem mais.

Lá fora, ter um veículo gigante passou a ser considerado algo brega, cafona ou, no mínimo, egoísta. Proprietários de Hummers passaram a ser vaiados publicamente. Mesmo o discurso de que dirigir um carro grande é mais seguro passou a ser questionado, com um bom debate sobre a gravidade de colisões em alta velocidade de veículos tão pesados. No Brasil, ironicamente tais monstrengos são classificados como veículos “comerciais leves” pela Fenabrave. Apesar de a imprensa especializada nacional ainda noticiar a explosão de vendas de carrões como algo positivo, com especial destaque para o crescente interesse nos SUVs, começam a ganhar força no Brasil às críticas a banalização de carros gigantes entupindo e congestionando ainda mais vias já sobrecarregadas.

E, assim como lá fora, os protestos ganham espaço, com críticas que vão de questionamentos sérios e cobranças por políticas públicas que visem o bem coletivo, a questionamentos bem humorados sobre os motivos do crescente interesse por carros tão grandes…

 

Cartaz pouco sutíl, disponível na internet. Reprodução livre

 


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