O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender na última quinta-feira (28) a pavimentação da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho, ao afirmar que a estrada será “ambientalmente a mais moderna do mundo”. A declaração ocorreu durante agenda no Amazonas, onde o governo federal apresentou um conjunto de medidas ambientais associadas às obras da rodovia, considerada uma das mais controversas da Amazônia.
A fala ocorre em meio ao avanço das discussões sobre a recuperação do chamado “trecho do meio” da BR-319, área de cerca de 400 quilômetros que corta uma das regiões mais preservadas da floresta amazônica e concentra preocupações de pesquisadores, organizações indígenas e ambientalistas.
Segundo Lula, a proposta do governo é combinar infraestrutura logística com controle territorial e monitoramento ambiental. O presidente afirmou que a reconstrução da estrada será acompanhada por ações de fiscalização, presença permanente do Estado e mecanismos de proteção da floresta.
O pacote anunciado prevê bases de monitoramento, fortalecimento da fiscalização ambiental, regularização fundiária e medidas de controle em uma faixa ao longo da rodovia. O governo também anunciou investimentos voltados à prevenção do desmatamento e ao combate à ocupação irregular da região.
A BR-319 se tornou prioridade política após os eventos extremos de seca registrados na Amazônia nos últimos anos, que afetaram o transporte fluvial e o abastecimento do Amazonas. Defensores da obra argumentam que a estrada é estratégica para reduzir o isolamento logístico de Manaus e garantir alternativas de transporte durante as crises climáticas.

Em análise publicada pelo Observatório do Clima, como resposta ao governo federal, organizações da sociedade civil avaliam que as medidas anunciadas chegam de forma tardia e não resolvem o risco imediato de explosão do desmatamento associado à pavimentação da rodovia. O documento aponta que a região da BR-319 já registra aumento da pressão fundiária, expansão de ramais ilegais e avanço da grilagem mesmo antes da conclusão das obras.
“O governo apresenta medidas importantes, mas elas não estão implementadas antes da pavimentação. Esse é o principal problema”, afirma a análise do Observatório do Clima. O documento destaca ainda que experiências anteriores na Amazônia mostram que a abertura e pavimentação de estradas costuma acelerar ocupações irregulares, retirada ilegal de madeira e conversão da floresta em áreas de pastagem.
O Observatório do Clima também critica o fato de o governo avançar simultaneamente com licitações e obras enquanto parte das estruturas prometidas de proteção ambiental ainda não foi implementada.
“Qualquer plano para a região precisa ser detalhado, discutido com a sociedade e formalmente protocolado para análise tanto na ação judicial que está tramitando desde 2024 quanto no processo de licenciamento ambiental em curso no Ibama. Necessita incluir claramente, também, garantia concreta de recursos para sua implementação”, afirma Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do OC.
Outro ponto de tensão envolve o licenciamento ambiental da rodovia. Organizações socioambientais questionam a viabilidade da pavimentação sem a consolidação prévia de um sistema robusto de governança territorial. Há também críticas sobre os impactos climáticos da obra e sobre os efeitos para povos indígenas e comunidades tradicionais da região.
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A mesma apologia (mentirosa, infame, destruidora) quando da época anterior à transposição do São Francisco. Obra que foi realizada, de forma impositiva, contra a sociedade (lembremos do movimento contrário, as audiências públicas que foram ocupadas pelas populações do Baixo São Francisco). O que temos hoje é a destruição do rio São Francisco, onde, no caso particular das populações de seu trecho baixo, não têm água, em quantidade, em qualidade, enquanto a água jorra no nordeste setentrional.
O caso São Francisco, laboratório primeiro do sistema de saque de água (e primeiro rio nacional privatizado – a Eletrobras, agora Axia, é a literal detentora e controladora de cada gota de agua), território, permanece totalmente ignorado pela sociedade, pelas mídias diversas.
Apenas o site de geojornalismo InfoSãoFrancisco se dedicou a apresentar a realidade do São Francisco, mas suportou apenas quatro anos.