O nascimento de 43 filhotes de periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus) no Parque Nacional de Ubajara, no Ceará, marca um raro avanço na conservação de uma das aves mais ameaçadas do Brasil. O registro, confirmado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), representa a retomada da reprodução da espécie na Serra da Ibiapaba, na divisa entre Ceará e Piauí, após mais de cem anos sem registros na região.
Endêmica do Ceará, a espécie, também conhecida como tiriba-de-peito-cinza, sofreu um colapso populacional ao longo do século passado, pressionada principalmente pela destruição de habitat e pela captura ilegal para o tráfico de animais silvestres. Hoje, o periquito-cara-suja figura entre as aves mais raras do país. O novo registro sugere que a estratégia de reintrodução conduzida pelo ICMBio, por meio do Parque Nacional de Ubajara e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), em parceria com a ONG Aquasis, começa a consolidar uma população reprodutiva viável.
O projeto integra o Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves da Caatinga e combina técnicas de manejo como translocação de indivíduos, ambientação em viveiros, soltura gradual, monitoramento permanente e instalação de caixas-ninho para estimular a reprodução. Segundo a equipe técnica, o nascimento dos filhotes demonstra não apenas adaptação ao ambiente, mas sinais concretos de estabelecimento da espécie em uma área de onde havia desaparecido.
Nesse cenário, o Parque Nacional de Ubajara cumpre papel central. A unidade federal protege remanescentes de mata úmida em meio ao semiárido, além de cavernas, nascentes e áreas estratégicas para a fauna regional. Em 2025, o parque recebeu cerca de 240 mil visitantes, figurando entre os dez parques nacionais mais visitados do país, uma visibilidade que também pode fortalecer ações de educação ambiental e sensibilização sobre a fauna ameaçada.
Para a chefia do parque, o resultado reforça a importância da continuidade de políticas públicas ambientais e da cooperação entre órgãos de conservação, centros de pesquisa e organizações da sociedade civil.
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