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Elefantes a caminho da derrota no Gabão

População de elefantes que vivem nas florestas da África Central está sendo reduzida devido à caça ilegal que abastece o tráfico de marfim.

Vandré Fonseca ·
7 de fevereiro de 2013 · 9 anos atrás
Mais de 10 mil elefantes foram mortos  por caçadores ilegais  no Gabão, desde 2004. Foto: Martin Harvey / WWF-Canon.
Mais de 10 mil elefantes foram mortos por caçadores ilegais no Gabão, desde 2004. Foto: Martin Harvey / WWF-Canon.

A caça ilegal está dizimando os elefantes que vivem em florestas na África Central. Desde 2004, cerca de 11 mil animais foram abatidos nas regiões próximas e até mesmo dentro do Parque Nacional Minkébé, no norte do Gabão, segundo um estudo divulgado esta semana pela Agência de Parques Nacionais do Gabão, WWF e Wildlife Conservation Society (WCS). Segundo os dados, entre 44% e 77% da população de elefantes da região foi abatida nos últimos nove anos.

“A situação está fora de controle”, afirma Bas Huijbregts, responsável pela campanha contra o tráfico de animais do WWF na África Central. “Nós estamos testemunhando o sacrifício sistemático do maior mamífero terrestre do mundo”, completa. O Gabão representa 13% das florestas da África Central, mas abriga mais da metade dos elefantes que vivem em áreas florestais de todo o continente. Metade dos elefantes do país vivem no Parque Nacional Minkébé.

Marfins apreendidos são incinerados para evitar que cheguem ao mercado ilegal. Foto: James Morgan/ WWF-Canon.
Marfins apreendidos são incinerados para evitar que cheguem ao mercado ilegal. Foto: James Morgan/ WWF-Canon.

De acordo com ele, há uma impressão errada de que a matança de elefantes para extração do marfim estaria se deslocando para outras partes do continente. Na verdade, afirma Huijbregts, é que a guerra do marfim está se espalhando e chegando a áreas onde os elefantes antes estavam mais bem protegidos. “Mas aqui na África Central, sem notícias no mundo, elefantes estão perdendo a guerra em uma velocidade relâmpago”.

A situação é grave também na República Centro-Africana, onde viviam mais de 80 mil elefantes em meados da década 1980. Caçadores ilegais atuam no país, exterminado elefantes e aterrorizando populações por onde passam. Autoridades do país receberam recentemente relatos da morte de 17 elefantes no sul do país e informações ainda não confirmada de 60 animais abatidos no norte da República Centro-Africana. “O novo governo da República Central da África está enviando as Forças Armadas para frear os caçadores ilegais antes que eles atinjam o último refúgio de elefantes, Dzanga-Sangha, declarado recentemente Patrimônio da Humanidade”, afirma Guian Zokoe, responsável pela reserva de Dzanga-Sangha.

Acampamento de uma patrulha de combate à caça, em uma área de concessão fora dos limites do Parque Nacional Minkébé. Foto: James Morga/WWF Canon.
Acampamento de uma patrulha de combate à caça, em uma área de concessão fora dos limites do Parque Nacional Minkébé. Foto: James Morga/WWF Canon.

Os países da região tem envolvido às forças armadas e recrutado mais guardas florestais para combater a caça ilegal de elefantes, mas os esforços não têm sido suficientes. Para Huijbregts é necessário acabar também com a demanda por marfim dos países da Ásia Oriental, principalmente Tailândia.

Uma campanha internacional arrecada assinaturas para proibir o comércio de marfim. Clique aqui para saber mais.


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