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“Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?”

Ser famosa cansa. Se preparando para descansar, a homenageada da semana foi flagrada pelas lentes do fotógrafo Emmanuel Keller.

Redação ((o))eco ·
22 de fevereiro de 2013 · 9 anos atrás

Um bocejo vespertino. Foto: Emmanuel Keller
Um bocejo vespertino. Foto: Emmanuel Keller

Ela já fez “ponta” numa de canção clássica de Alceu Valença e foi cantada por Fernanda Abreu. Na televisão, não só passeava pela abertura da novela Pantanal como foi alter ego da personagem Juma Marruá. É inspiração para lendas e uma famosa expressão popular, “amigo da onça”, a qual inspirou o personagem do cartunista Péricles de Andrade Maranhão. Está até na nota de 50 reais. Sim, a onça-pintada está em todas. Sua mistura de beleza e ferocidade deste animal habita o imaginário popular. Talvez porque num continente desprovido de tigres, leões e leopardos, a onça-pintada (Panthera onca) é uma espécie emblemática das matas brasileiras e o único membro do gênero Panthera nas Américas. O que é raro encanta e assusta.

A onça-pintada (ou pintada, onça-verdadeira, jaguar, jaguarapinima, jaguaretê, acanguçu, canguçu, tigre) é o maior felino do continente, desde o México, passando pela América Central, até a América do Sul, incluindo toda a bacia Amazônica. Medindo até 1,80 de comprimento, 75 com de altura e 160 kg, é um animal de grande força: sua mordida tem potência equivalente a 910 quilogramas-força, adequada para as presas que costuma caçar: antas, capivaras, queixadas, tamanduás, jacarés, grandes herbívoros, macacos e tartarugas, cujos cascos atravessa com facilidade.

Sua característica pelagem amarelo-dourado com pintas pretas na cabeça, pescoço e patas é inconfundível: o padrão das manchas são uma espécie de impressão digital, única, nunca se repetindo de animal para animal. Fotografando a pelagem na lateral e também a parte da cabeça do animal, pesquisadores ser capazes de identificar indivíduos da espécie.

A onça-pintada pode ser encontrada em vários tipos de habitat, desde florestas como a Amazônica e a Mata Atlântica, até em ambientes abertos como o Pantanal e o Cerrado. Solitárias e territorialistas, exigem largas áreas, que variam de 22 a mais de 150 km² dependendo do tipo de habitat. O território de um macho costuma se sobrepor ao de duas ou mais fêmeas. Mesmo assim, só buscam a companhia de um par durante a época de acasalamento. Neste período, as onças são menos individualistas e formam casais, que chegam a caçar em conjunto. O “namoro” acaba pouco antes do nascimento dos filhotes. A gestação dura, em média, 100 dias e pode gerar até quatro filhotes, que serão criados pela mãe, aprendendo a caçar e sobreviver, até completarem cerca de 2 anos, quando se tornam independentes.

Originalmente, a distribuição deste animal se dava desde o sudoeste dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Agora, onças estão oficialmente extintas nos Estados Unidos (alguns indivíduos ocasionalmente cruzam a partir do México), mas ainda pode ser encontrados na América Latina. Porém, suas populações vêm diminuindo onde entram em confronto com atividades humanas. No Brasil, elas já praticamente desapareceram das regiões nordeste, sudeste e sul devido à sistemática destruição de habitats e a caça predatória que busca pele, dentes e patas do animal. Também são perseguidas por serem vistas como um risco para rebanhos e animais domésticos. A onca-pintada é classificada pela IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) como “Quase ameaçado” e, pelo IBAMA, como espécie vulnerável, constando no apêndice I do CITES.

*editada em 22.02.13 às 21h

 

 

 

 

 

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