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Pitu: não a cachaça, o camarão

Há muito mais sobre o homenageado da semana em ((o))eco, o pitú, que dar nome à popular bebida alcoólica. Foto: Charles & Clint/Flickr

Redação ((o))eco ·
3 de maio de 2013 · 9 anos atrás
Macrobrachium carcinus. Foto: Charles & Clint/Flickr.

Uma das versões contadas para a escolha do nome Pitú para a popular empresa de bebidas alcoólicas, conta que deriva do Engenho Pitú, um engenho de aguardente localizado em Vitória de Santo Antão/PE, onde camarões de água doce eram tão comuns que eram usados como tira-gosto nas reuniões de degustação que ali aconteciam. Uma anedota um tanto triste, se considerarmos que revela uma das razões pelas quas hoje a espécie é classificada como Vulnerável.

O nome científico da espécie é Macrobrachium carcinus: Macrobrachium do grego makros (longo, grande) e brakhion (braço); carcinus vem do grego karkinos (caranguejo), pelas extensas garras. Popularmente atende por vários nomes: Pitu, o mais conhecido, ou Lagosta-de-água-doce; Lagosta-de-São-Fidélis.

O pitu tem a distinção de ser o maior camarão de água doce nativo do Brasil, podendo chegar a quase 50 cm de comprimento e pesar mais de 300g. Tem corpo liso, e grandes garras. Os adultos têm uma coloração marrom escura com manchas mosqueadas de cores mais claras. O dimorfismo sexual, isto é, características físicas não sexuais marcadamente diferentes entre os sexos, é bem evidente. Os machos são bem maiores e mais robustos, com garras mais desenvolvidas. As fêmeas possuem “tórax” arqueados e alongados, formando uma câmara de incubação.

O período reprodutivo do M. carcinus se dá nos meses de junho e julho. Por possuir alta taxa de fertilidade e fecundidade, uma fêmea produz cerca de 100 mil ovos, podendo chegar a 250 mil. As formas larvares dependem de água salobra para seu adequado desenvolvimento. Quando adultos buscam água doce, de preferência em locais com correnteza, fundos rochosos ou arenosos.

Um animal bastante agressivo, preda peixes e outros camarões inclusive, principalmente durante a noite, quando estão ativos. Algas e animais mortos também fazem parte da sua dieta. Durante o dia, procuram refúgio em qualquer tipo de abrigo que possa existir. Preferem locais com fluxo e água constante. Dificilmente, a espécie ocorre em locais com altitude superior a 200 m.

É uma espécie encontrada apenas em pequenas bacias costeiras e no curso inferior dos grandes rios. Atualmente, ocorre desde a Flórida e América Central até as Antilhas, Colômbia, Venezuela, Suriname e Brasil (do Amapá ao Rio Grande do Sul). Está presente em todos os biomas nacionais: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampas.

Várias são as causas do desaparecimento da espécie. A principal ameaça está ligada ao barramento de rios e destruição de habitats. Soma-se a isso a degradação da qualidade da água, diminuição da vazão dos rios e pesca excessiva. Mesmo com a proibição de pesca desta espécie (Instrução Normativa MMA nº 04/2005), ainda é realizada de forma artesanal em diversas regiões do país, em especial das regiões Norte e Nordeste, fazendo parte da culinária tradicional destas localidades. O Pitú, infelizmente, ainda não escapou da sina do aperitvo.

 

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