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Chapada dos Veadeiros inaugura primeira travessia com pernoite

Amantes da natureza poderão explorar as belezas naturais do cerrado e conhecer as Sete Quedas, a mais nova atração da Unidade de Conservação.

Fabíola Ortiz ·
24 de junho de 2013 · 8 anos atrás
Cachoeira no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Foto: Nelson Yoneda
Cachoeira no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Foto: Nelson Yoneda

A partir de agora, aventureiros e amantes da natureza terão a oportunidade de conhecer mais a fundo o bioma Cerrado com o roteiro recém-lançado que explora as belezas naturais da Chapada dos Veadeiros, na região nordeste de Goiás, a cerca de 200 quilômetros de Brasília. A Travessia das Sete Quedas é o novo atrativo do parque nacional gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e é ainda a primeira trilha com pernoite formalizada no estado de Goiás.

São 23 quilômetros de trekking pelo cerrado que podem ser feitos em dois dias em um ritmo tranquilo para apreciar a riqueza da Chapada. Para os mais experientes e com pouco tempo, é possível fazer a caminhada em apenas um dia. Quem explica é a analista ambiental Carla Cristina Guaitanele, chefe do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros,

“A trilha está nos planos do parque há uma década. Era uma antiga trilha do garimpo e já estava no nosso planejamento, mas só agora tivemos a oportunidade de implantar”, disse a ((o)) Eco.

A execução com o traçado do percurso e sinalização levou cerca de um ano para ser concluída e contou com o apoio de uma equipe de consultores do ICMBio e de, pelo menos, 15 guias locais que se voluntariaram para ajudar na demarcação.

Guaitanele explica que, primeiro, foi feito um mapeamento do atrativo, o traçado da rota, uma avaliação da fauna e flora e o manejo em si. A trilha é considerada difícil, apesar de ser plana e ter pouco desnível. Pega-se muito sol em trechos descampados e pode ser bem quente nos períodos de seca, além de ter pouca sombra. A travessia só será aberta na época de seca, nos meses de maio a outubro.

Trilha leva dois dias

Clique nas imagens para ampliar e ler as legendas.

A travessia tem início no centro de visitantes próximo à vila de São Jorge. O horário indicado para começar a caminhada é entre 6h e 9h. No primeiro dia, o percurso é de 17 quilômetros. As duas primeiras horas de caminhada (5 km) fazem parte já do roteiro dos Cânions, depois são mais 12 km atravessando o Rio Preto – dos quais 2 km de caminhada até o rio e mais 10 km numa área de campo limpo florido que levará ao principal atrativo, as Sete Quedas. A previsão recomendada para chegar às quedas é entre 14h e 16h, quando ainda sobra tempo para aproveitar a luz do sol.

Guaitanele descreve as quedas como cachoeiras de pequeno porte mas que proporcionam uma visão cênica de 360º. Além do banho nas piscinas naturais e uma caminhada pelas quedas para avistar o rio Preto que são algumas opções para complementar o passeio. A água na Chapada, em geral, é bem gelada.

O visitante pode ainda pernoitar numa área preparada de camping com capacidade para 17 barracas a uma distância de 150 metros das quedas.

O visitante pode ainda passar a manhã do segundo dia no atrativo. A orientação é retornar entre 11h e 12h. São três horas de caminhada. A travessia termina na GO-239, rodovia estadual de terra batida que liga São Jorge a Alto Paraíso. É possível contratar um serviço de uma operadora local para buscar o visitante no final da caminhada.

O parque não cobra ingresso, nem o pernoite, mas o visitante deve levar todos os apetrechos que necessita para acampar e alimentos. Há ainda uma grande variedade de serviços turísticos que oferecem guias locais e agências para dar mais infraestrutura. Mas a trilha pode ser feita sem guia. O parque pretende ainda disponibilizar o contato de empresas de viagem no seu site.

Lembrando que, para realizar a travessia, é preciso agendar no próprio site com pelo menos 5 dias de antecedência. A travessia terá capacidade para 30 pessoas por dia.

O parque abre de 8h às 18h, já os visitantes agendados para a travessia poderão acessar a unidade mais cedo, às 6h. O parque ainda oferece mapa e guia de bolso para os visitantes.

Diversidade do cerrado

Travessia das sete quedas. Foto: Leonardo Milano / Divulgação ICMBio
Travessia das sete quedas. Foto: Leonardo Milano / Divulgação ICMBio

“A trilha é um grande aprendizado sobre as fisionomias do cerrado. Durante a caminhada podemos avistar veados e emas”, destaca Guaitanele, chefe do parque.

Fábio França foi um dos responsáveis pela implementação da trilha e lembra que as primeiras viagens de reconhecimento ocorreram em março de 2011 para definir os principais pontos. Entre dezembro de 2012 e maio 2013, a equipe trabalhou para fazer a trilha acontecer.

A caminhada foi planejada para ser autoguiada e, assim, valorizar a experiência de percorrer o trajeto a fim de conhecer a ecologia do cerrado.

“O interessante nessa travessia é que a paisagem é sempre diferente, tem-se a sensação de que se está descobrindo uma coisa nova com cachoeiras, rio, uma subida com desnível de 60 metros com direito a uma visão panorâmica do parque e quedas que agora estão habilitadas para receber visitantes”, disse à ((o))eco Fábio França.

Para ele que já realizou a travessia umas 10 vezes, ver tantas pessoas animadas com este atrativo ecológico é uma sensação de recompensa.

“Será a experiência de viver a natureza, ver o pôr do sol e acordar com os passarinhos, além do platô, um campo limpo que proporciona uma ampla visão. É uma bela travessia”, definiu França.

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi criado na década de 60 e protege uma área de 65 mil hectares de cerrado. A região se caracteriza por diversas formações vegetais, centenas de nascentes e cursos d´agua e formações rochosas com mais de um bilhão de anos.

O parque preserva ainda áreas de antigos garimpos, como parte da história local e foi declarado Patrimônio Mundial Natural pela Unesco em 2001.

A Chapada recebe em média 22 mil visitantes por ano que percorrem os 46 quilômetros de trilhas. Além da travessia das Sete Quedas, o visitante pode ainda conhecer os cânions, saltos e fazer a trilha da Seriema.

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  • Fabíola Ortiz

    Jornalista e historiadora. Nascida no Rio, cobre temas de desenvolvimento sustentável. Radicada na Alemanha.

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Comentários 1

  1. Cirilo diz:

    Boas fotos mas se são produzidas durante o expediente de trabalho e fazem parte do banco de imagens o copyright deveria ser do ICMBIO.