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Uma estrela de nove pontas

Para encontrar o homenageado desta semana é preciso se voltar para o mar, e não para as estrelas.

Redação ((o))eco ·
4 de outubro de 2013 · 8 anos atrás

Estrela-do-mar de oito pontas ([i]Luidia senegalensis[/i]). Foto:  Andrea Westmoreland/Flickr
Estrela-do-mar de oito pontas ([i]Luidia senegalensis[/i]). Foto: Andrea Westmoreland/Flickr

O mar tem constelações. Os equinodermos pertencentes à classe Asteroidea, as estrelas do mar, se dividem em cerca de 1.500 espécies, espalhadas em todos os oceanos do mundo, dos trópicos até as águas polares. Eles são encontrados desde as águas mais rasas da zona entremarés até as inexpugnáveis profundidades abissais, 6.000 m abaixo da superfície.

Tipicamente, estrelas têm cinco braços. Na maioria dos casos, isto também se aplica às estrelas-do-mar. No entanto, há algumas espécies que fogem à regra. Uma delas é a Luidia senegalensis que ocorre na Jamaica, nas Antilhas menores, em Belize, na Nicarágua e ao longo da costa Sul-americana até o sul do Brasil. Esta estrela possui nove braços longos e achatados, em raras vezes, oito.

A Luidia senegalensis é uma estrela-do-mar com a superfície superior de cor cinza azulada ou esverdeada, com as bordas dos braços esbranquiçadas. A superfície inferior é creme ou branca. Esta é a face oral: nesta parte fica a sua “boca”, ao centro do disco. O animal se desenvolve a um diâmetro de cerca de 30 a 40 centímetros.

A espécie é geralmente encontrada em locais de baixo movimento de águas, com fundos lodosos, arenosos ou areno-lodosos, entremeados por conchas. É uma predadora voraz de uma grande variedade de presas, que incluem moluscos, pequenos crustáceos e vermes aquáticos (poliquetas). Para se alimentar lança o estômago pela boca, engolindo o alimento por inteiro. Isto também faz com que engula “bocados ” de sedimentos do substrato marinho, que serão filtrados também pela via oral. Uma vez que que o animal não possui ânus, fragmentos de alimentos não digeridos são expelidos através da boca.

A reprodução sexuada ocorre com a liberação seus gametas no mar, onde ocorre a fecundação. Os ovos eclodem em larvas, que são arrastados livremente pelas correntes junto ao plâncton. Em cerca de 25 dias, eles crescerão consideravelmente e se acomodarão sobre o leito do mar, em seguida se metamorfoseando em estrelas do mar juvenis.

Embora a estrela-do-mar L. senegalensis possa ser predada por outras estrelas-do-mar e por aves marinhas na maré baixa, o maior risco para espécie não advém destas ameaças, mas dos efeitos das atividades humanas. Como toda espécie que vive associada ao sedimento marinho, é altamente suscetível ao efeito dos poluentes, tanto os presentes na coluna de água como aqueles que se acumulam no substrato.

Soma-se a isto a coleta acidental como fauna acompanhante em arrastos de pesca que coloca em risco populações inteiras. As populações desta espécie tem apresentado uma redução, sendo estimadas em menos de 1.000 indivíduos adultos. De acordo com o ICMBio a espécie Luidia senegalensis é considerada Vulnerável correndo o risco de se tornar criticamente em Perigo ou extinta em curto período de tempo.

 

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