![]() |
A Assembleia Nacional do Equador aprovou na quinta-feira passada, 3 de outubro, a exploração de petróleo nos blocos 31 e 43 dentro do Parque Nacional Yasuní, que foi solicitada pelo presidente Rafael Correa logo da desistência do projeto Yasuní ITT que visava deixar o petróleo sob o solo.
Após um debate de quase nove horas, a Assembleia declarou de interesse nacional a exploração de ambos os blocos, com 108 votos a favor e 25 contra o projeto.
A resolução aprovada estabelece recomendações para o processo, como o monitoramento integral da operação petrolífera com as “devidas precauções aos direitos das pessoas, das comunidades, povos e nacionalidades indígenas, especialmente os povos em isolamento voluntário, da natureza e a conservação e usos sustentável da biodiversidade”, informa um comunicado da Assembleia equatoriana.
A vice-presidente do Parlamento, Marcela Aguiñaga, disse que o que se busca é “uma exploração responsável com o ambiente, com os habitantes”, e que com a decisão de explorar o petróleo no parque Yasuní “haverá uma mudança substancial na forma de viver”. Para ela, “a exploração de petróleo no mundo inteiro se traduz em um cenário de violência, de desperdício e discussão, mas no Equador foi trazida à discussão a possibilidade de uma exploração responsável”.
Na declaração de interesse nacional aprovada, a Assembleia não autorizou atividades extrativas na zona Tagaeri-Taromenani, território dos índios huaorani em isolamento voluntário, onde já eram proibidas.
A proposta do projeto Yasuní ITT era de manter indefinidamente as reservas do bloco petrolífero Ishpingo-Tambococha e Tiputini (ITT), estimadas em 920 milhões de barris, sem explorar. A comunidade internacional deveria contribuir com pelo menos 3,6 bilhões de dólares, 50% do que receberia o país se explorasse o campo petrolífero, como uma forma de compensação pela geração e manutenção de serviços ambientais da área onde estão os blocos petrolíferos.
Porém, no mês de agosto passado, o presidente Rafael Correia anunciou a finalização do projeto, e o interesse do Estado em explorar o petróleo no parque.
Leia Também
Yasuní um lugar que inspira
Presidente do Equador anuncia que explorará petróleo em reserva
Política externa para Yasuni
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Justiça determina demolição de construções irregulares feitas por condomínio em Rebio
Sentença estabelece ainda recuperação da área degradada por estruturas construídas ilegalmente por condomínio dentro da Reserva Biológica de Guaratiba, no Rio de Janeiro →
Em meio à crise climática, Porto Alegre recebe sua primeira Semana de Ação Climática
Entre 20 e 26 de julho, a capital gaúcha vai discutir resiliência climática, enquanto vivencia os impactos das enchentes de 2024 e se prepara para enfrentar um ‘super El Niño’ →
Profetas do tempo: água, sementes e futuro no sertão da abundância
Saberes ancestrais e inovações sociais constroem um futuro sustentável no interior do Piauí. Segundo episódio: A revolução agroecológica →

