Notícias

Drymoreomys albimaculatus, o rato da serra

A Mata Atlântica, embora seja o bioma mais ameaçado do país, ainda abriga várias espécies desconhecidas, surpresas como este peculiar roedor.

Rafael Ferreira ·
16 de maio de 2014 · 12 anos atrás

[i]Drymoreomys albimaculatus[/i], roedor arborícola recentemente descrito, fotografado no
[i]Drymoreomys albimaculatus[/i], roedor arborícola recentemente descrito, fotografado no

No início de 2011, um grupo formado por Alexandre Reis Percequillo, do Departamento de Ciências Biológicas da USP de Piracicaba, Marcelo Weksler, do Museu Americano de História Natural, e Leonora Costa, da Universidade Federal do Espírito Santo, publicaram na revista científica Zoological Journal of the Linnean Society a descoberta de uma nova espécie: Drymoreomys albimaculatus.

A descoberta é mais uma demonstração de que a Mata Atlântica, o bioma brasileiro mais estudado e, infelizmente, devastado, ainda guarda muitas surpresas.

O nome científico da espécie Drymoreomys albimaculatus significa, literalmente, rato das florestas e montanhas (Drymoreomys) com manchas brancas (albimaculatus). Tem esse nome porque é encontrado somente na floresta úmida das encostas orientais da Serra do Mar de São Paulo e Santa Catarina, o que o torna um gênero endêmico da Mata Atlântica.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



O D. albimaculatus é um roedor de tamanho médio com cerca de 30 cm de comprimento da cabeça à ponta da cauda, e com massa corporal de 44 a 64 gramas. Os pelos do corpo são longos e densos, laranja-avermelhados na maior parte. As pequenas e arredondadas orelhas são cobertas com pelos dourados na parte externa e castanho-avermelhados na superfície interna. O ventre é acinzentado com manchas brancas. A cauda longa é completamente castanha e tem entre 14 e 17 centímetros.

A espécie parece ser adaptada às áreas montanhosas e de encosta, com densa floresta úmida. Foi encontrada em florestas perturbadas e secundárias, bem como em florestas intactas. Apesar disso,  seus descobridores especulam que precisa floresta contígua para sobreviver. A época reprodutiva foi observada em diferentes momentos, o que sugere que a espécie se reproduza o ano todo. Devido às suas características morfológicas, como as grandes almofadas nas patas, acredita-se que tenha hábitos arbóreos, isto é, uma espécie que vive em árvores.

Embora a área de ocorrência do D. albimaculatus seja relativamente grande e inclua algumas áreas protegidas (por exemplo, o Parque Nacional da Serra do Itajaí), a distribuição é pequena – só foi encontrado em sete localidades – e o habitat – a Mata Atlântica – é ameaçado. Por esta razão, os descobridores recomendam que a espécie seja classificada como Quase ameaçada na lista vermelha da IUCN.

 

 

Leia também
Guácharos: pequenos demônios
O Beija-flor-violeta
Guia: as aves do Pampa

 

 

 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
8 de abril de 2026

Lobby da mineração avança sobre terras indígenas, aponta relatório da APIB

Documento identifica mais de 1.300 requerimentos na Amazônia e denuncia articulação política e jurídica para flexibilizar direitos territoriais

Notícias
8 de abril de 2026

Que Macaco é Esse? Aplicativo ajuda a identificar primatas de SP

A ferramenta traz fotos, sons e informações sobre as 12 espécies de primatas que podem ser encontradas nas unidades de conservação do estado de São Paulo

Salada Verde
8 de abril de 2026

UCBio recebe ativista Paul Watson para debates sobre preservação ambiental

O evento reúne referências globais para discutir a preservação da biodiversidade no mundo. As inscrições estão abertas para o encontro em Curitiba (PR)

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Comentários 1

  1. Marco diz:

    Este roedor tbm habita a serra dos órgãos , e Itaipava, ja vimos famílias