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Filhote de arara paulistana quer voltar para a Caatinga

O primeiro filhote de arara-azul-de-lear a nascer em cativeiro na América do Sul traz esperanças para a conservação da espécie.

Vandré Fonseca ·
4 de maio de 2015 · 11 anos atrás

O filhote de arara-azul-de-lear é apresentado ao mundo. Foto: Paulo Gil/FPZSP
O filhote de arara-azul-de-lear é apresentado ao mundo. Foto: Paulo Gil/FPZSP

Manaus, AM — Quando chegaram ao Zoológico de São Paulo, em 2006, após serem apreendidos pela Polícia Federal, Francisco e Maria Clara ainda eram jovens demais, mas já estavam juntos, ou pareados, como se costuma falar quando se trata de aves. Mas há pouco mais de duas semanas, em meados do mês de abril, essa relação deu o primeiro fruto. E hoje eles são os pais do primeiro filhote de arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) nascido em cativeiro no Brasil.

A espécie é uma das três araras do gênero Anodorhynchus, caracterizado pela plumagem azul. Todas encontradas em território brasileiro. Atinge 75 centímetros de comprimento e é endêmica de uma área restrita do nordeste da Bahia. É maior do que a ararinha-azul — que mede adulta entre 55 e 60 centímetros –, extinta na natureza e que pertence a outro gênero. A arara-azul-de-lear vive em bandos e usa paredões rochosos para se reproduzir. O seu principal alimento é o coco do licuri, uma palmeira encontrada na região. Cada ave se alimenta em média de 350 frutos de licuri por dia.

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O filhote do Zoológico de São Paulo nasceu com 7 centímetros e 22 gramas. Já dobrou de tamanho e alcançou 145 gramas: está seis vezes e meia mais pesado do que quando nasceu. Ainda não tem penas. Embora alguns insistam em achá-lo bonito, outros preferem deixar de lado questões estéticas e destacar a importância deste nascimento para os planos de conservação da espécie.

Existe um programa para a reprodução da ave em cativeiro, e para repovoar o habitat natural dela: a Caatinga no nordeste do estado da Bahia. Ela é considerada em Perigo de Extinção, pela lista da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). As principais ameaças são a degradação do ambiente, falta de alimentos e o tráfico de animais.

Um censo populacional realizado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação das Aves (Cemave), realizado em novembro do ano passado, indicou a existência de 1.294 araras-azuis-de-lear em ambiente natural. Doze indivíduos vivem em cativeiro, no Zoológico de São Paulo, 8 fêmeas e 4 machos.
O programa de cativeiro busca  a reprodução emergencial do maior número de indivíduos, para assegurar no futuro a variabilidade genética da espécie. Mesmo a reprodução em outros países (Catar e Espanha) ocorre em velocidade preocupante. Poucos animais nasceram em 2013. Além disso, os casais estão atingindo idade elevada, o que dificulta a reprodução.

Para aperfeiçoar o manejo em cativeiro, a Fundação Parque Zoológico construiu o Centro de Conservação de Fauna (Cecfau). O centro oferece melhores condições para os casais se reproduzirem. Neste local, mantenedores da espécie pretendem fazer um agrupamento de araras-azuis-de-lear em idade reprodutiva, para permitir a livre formação de casais.

O filhote ainda não teve o sexo identificado. Ele recebe cuidados especiais e é mantido em uma incubadora com temperatura e umidade controladas. A cada três horas, recebe uma papinha, feita com ração, algumas gotas de azeite extra virgem e água morna. O crescimento é registrado em fotografias. No futuro, vai para um recinto de adaptação, onde vai treinar vôo e se integrar a outros da espécie. E quem sabe, um dia, bater asas, livre, na caatinga nordestina.

 

 

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