
Rio de Janeiro — Cerca de 100 estacas de madeira nativa foram apreendidas na quinta-feira (16) pela equipe de policiais ambientais e guarda-parques do Parque Estadual do Desengano, em São Fidélis. A retirada de madeira foi feita dentro de uma contínua de floresta entre os limites da unidade de conservação e uma fazenda. Possivelmente na zona de amortecimento do parque.
Ainda não se tem certeza pois é necessário verificar as coordenadas de latitude/longitude do GPS junto aos registros do cartório da cidade.
A operação aconteceu após a unidade de Polícia Ambiental do Parque Estadual do Desengano (UPAM Desengano) receber uma denúncia anônima. Dois policiais foram até o local e viram a derrubada. A administração do parque foi avisada por rádio e mandou uma equipe com 6 guarda-parques. Duas viaturas e um caminhão participaram da operação de retirada da madeira.
“Assim funciona: eles fazem a parte criminal e nós fazemos a administrativa. Um completa o outro”, explica Carlos Dário Castro Moreira, gestor do parque.
Um encarregado da fazenda que receberia as estacas assumiu a responsabilidade pela ocorrência. A madeira seria usada para cercar a propriedade. Além da autuação, o encarregado será multado, mas o valor ainda não foi divulgado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
“Não houve flagrante, mas conseguimos impedir a derrubada de outras árvores nativas. Esse foi o maior feito”, explicou o gestor.
Doação
A madeira apreendida será doada para duas instituições de ensino: uma parte vai para a Universidade Estadual Norte Fluminense (Uenf), em Campos dos Goytacazes e a outra vai para uma escola de artesanato e marcenaria em Santa Maria Madalena.
O Parque Estadual do Desengano foi criado na década de 70 e abrange uma área de 21,4 mil hectares entre os municípios de Santa Maria Madalena, São Fidélis e Campos dos Goytacazes, no norte do estado.
Leia Também
Do Marumbi ao Desengano: um montanhista busca liberdade
Visitação é essencial nos parques estaduais do Rio de Janeiro
Desengano abre série de guias turísticos
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
PL que reduz APA da Baleia Franca não tem fundamento técnico, aponta Rede Pró-UC
Projeto de lei que exclui toda porção terrestre da APA, no litoral catarinense, tramita agora em regime de urgência e pode ir direto para votação no Plenário da Câmara →
O El Niño e a favela: por onde andam as políticas de adaptação? Ou quem se importa?
Enquanto alguns contabilizam perdas em safras e commodities, outros perdem casas, documentos, meios de trabalho e, muitas vezes, a própria vida →
Quando o chorume transborda, transborda também a responsabilidade ambiental
A proteção das águas brasileiras exige uma visão integrada. Resíduos sólidos, saneamento, recursos hídricos e saúde pública não podem continuar sendo tratados como políticas isoladas →
