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Coextinção: quando a perda de uma espécie significa o fim de outra

Pesquisa mostra que a perda de morcegos no Brasil pode provocar a coextinção de dezenas de moscas ectoparasitas especializadas invisibilizadas pela conservação

Duda Menegassi ·
15 de julho de 2026

A extinção de uma espécie, mais do que um fim em si própria, pode gerar um efeito cadeia com graves consequências para todo um ecossistema. Existem situações em que a perda de uma espécie pode levar à perda de outra, que depende da primeira para sobreviver. É o que cientistas chamam de coextinção. E essas perdas muitas vezes são silenciosas, envolvendo criaturas pequenas e comumente invisibilizadas, como alerta um estudo recém-publicado que analisou a relação altamente especializada entre moscas parasitas e seus morcegos hospedeiros no Brasil.

A pesquisa analisou o risco de coextinção entre 182 espécies de morcegos, das quais 66 apresentam relações com parasitas, e 106 espécies de moscas ectoparasitas – aquelas que ficam e se alimentam na superfície externa dos hospedeiros. Estas moscas só parasitam morcegos e são incapazes de sobreviver sem seus hospedeiros, frequentemente numa relação espécie-específica e ainda pouco conhecida, destacam os pesquisadores.

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A análise, publicada em artigo com acesso aberto no periódico Animal Conservation, alerta que apenas um terço das espécies de morcegos tiveram suas moscas parasitas estudadas. Entre aquelas com informação, 33% dos morcegos e 64% das moscas têm relações espécie-específicas, ou seja, com alta dependência uma da outra.

Esta relação tem um preço e a extinção de algumas espécies de morcegos pode provocar a coextinção de até cinco espécies de moscas, aponta o estudo. O cenário é agravado pelo fato de que muitos desses morcegos já são ameaçados – ainda que suas moscas ectoparasitas sejam invisibilizadas pelas lentes e listas da conservação. É o caso de quatro espécies de moscas que hospedam morcegos já classificados como Em Perigo e Vulnerável ao risco da extinção.

“Outras 64 espécies de ectoparasitas apresentavam apenas um registro de interação com uma única espécie de morcego, evidenciando sua relação altamente especializada, o que as torna mais suscetíveis à extinção caso ocorram variações populacionais em seus hospedeiros”, destacam os autores em trecho do artigo.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica. →

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