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Especialistas desenvolvem sistema para ajudar na conservação de botos da Amazônia

Com informações obtidas em expedições feitas em rios da região amazônica, ferramenta oferece recursos para combater ameaças ao mamífero

Marcos Furtado ·
27 de outubro de 2020
Botos. Crédito: Fernando Trujillo/ Fundação Omacha.

Um mapa com informações de diferentes regiões para ajudar na conservação dos botos da Amazônia é a proposta da plataforma digital Botos Amazônicos. Resultado do trabalho de um grupo de especialistas da ‘Iniciativa Golfinhos de Rio da América do Sul’ (SARDI, sigla em inglês), a ferramenta disponibiliza dados relacionados às espécies de golfinhos, como distribuição geográfica, estimativas populacionais, ameaças e barreiras naturais.

O grupo, formado por cientistas de 5 países da América do Sul, fez levantamentos de informações importantes sobre botos durante expedições realizadas nos rios Amazonas e Tocantins-Araguaia, no Brasil, e Orinoco, na Colômbia. No total, os estudiosos, apoiados pela WWF Brasil, percorreram cerca de 47 mil quilômetros para obter os dados utilizados no sistema virtual.

Com uma lógica parecida com o Google Mapas, o Bota Amazônicas permite que o internauta passeie em um mapa virtual, que pode ser ampliado, para encontrar os dados que precisar. Há ainda disponíveis na plataforma camadas que facilitam a busca por categorias de informações específicas. Esses filtros podem ser combinados para que o usuário tenha resultados mais específicos sobre os botos.

A contaminação por mercúrio usado no garimpo ilegal e a caça para utilização de suas carnes como isca na pesca da piracatinga são as maiores ameaças desses animais.

Responsável por compilar os dados da pesquisa, a doutora em Ecologia e pesquisadora do Instituto Aqualie Mariana Frias acredita que a ferramenta é uma facilitadora no planejamento de ações para a conservação dos botos. “Conseguimos ver, por exemplo, onde estão os maiores grupos populacionais e onde estão as Unidades de Conservação. Com isso, temos uma ferramenta de manejo muito eficiente que pode servir para influenciar e pressionar autoridades”, avalia Mariana.

A plataforma tem acesso gratuito e está disponível em inglês. Apesar de versões em português e espanhol estarem em desenvolvimento, o Boto Amazônicos oferece uma página com as principais informações em português.

O analista de conservação do WWF-Brasil, Marcelo Oliveira, ressaltou que o maior alcance das informações em nível global foi o fator fundamental para a primeira versão do sistema estar na língua inglesa. “Nosso objetivo foi de que o maior número de pessoas, no mundo todo, pudesse ter acesso às valiosas informações que foram reunidas nesta ferramenta. Mas para não deixar o público latino-americano sem acesso a essas informações, produzimos também o storymap”, explica.

 

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  • Marcos Furtado

    Escreveu para ((o))eco, Estadão, Folha de SP, Colabora. Ganhou o Prêmio Santander Jovem Jornalista e teve o 3º lugar em concurso do ICFJ

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