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Filhote de gato-mourisco é encontrado sozinho no Mato Grosso do Sul

Felino foi encontrado por moradora no interior do estado. Espécie está na lista de animais ameaçados de extinção, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente

Michael Esquer ·
23 de setembro de 2022

Animal silvestre de raro avistamento e ameaçado de extinção, um filhote de gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi) foi encaminhado ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, após ter sido encontrado sem a mãe em Rio Brilhante (MS), cidade do interior do estado. O felino foi entregue por uma moradora à uma clínica veterinária do município. De lá, o animal foi recolhido pela Polícia Militar Ambiental (PMA) e encaminhado até a capital sul-mato-grossense. 

O filhote foi entregue à clínica no domingo (18). A médica veterinária do estabelecimento foi quem solicitou a PMA para efetuar o encaminhamento do animal ao CRAS. Aos agentes, ela disse que o felino foi entregue por uma moradora. À veterinária, a mulher disse que tinha encontrado o filhote caminhando na calçada de casa, e que possivelmente o gato teria saído de uma área de vegetação nas proximidades. As informações constam em nota divulgada pela instituição policial. 

“Infelizmente, o que tem ocorrido muito é as pessoas verem o animal sozinho, devido a mãe ter ido em busca de alimentação, e acabar pegando [o filhote]. O que se recomenda é ficar observando de longe um tempo para ver se a mãe volta. Caso o animal esteja machucado, ou a mãe não volte, aí sim devemos intervir”, disse a ((o))eco Jordana Toqueto, médica veterinária que recebeu o filhotinho no CRAS, em Campo Grande (MS), nesta quarta-feira (21). 

Durante avaliação física, foi constatado que o felino trata-se de uma fêmea, com cerca de um mês de idade – a estimativa foi baseada no escore corporal do animal. Não foi detectada nenhuma alteração no filhote. Desde que chegou, o felino tem sido alimentado três vezes ao dia com leite específico. Pedaços de carne também fazem parte da dieta do animal. “Está saudável, ativo e muito esperto. Alimenta-se muito bem e está começando a comer pedaços de carne sozinha”, conta a veterinária, ao mencionar também o instinto do animal, mesmo ainda filhote. “Fica brava na hora do manejo”. 

Filhote passará por processo de reabilitação, sendo exposto ao contato com humanos apenas para a alimentação. Foto: CRAS/Imasul.

Segundo Toqueto, durante a permanência no CRAS, o filhote deve permanecer em recinto para evitar contato físico, com exceção das ocasiões de alimentação. A transferência para recintos maiores deve ocorrer conforme o avanço do seu crescimento. “Sempre buscando o mínimo de contato possível com com os humanos, para não se acostumar com a nossa presença, para assim que atingir uma certa idade, e a equipe constatar que está apta, ser solta em seu habitat natural”, acrescenta Jordana. 

O gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi) está na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção no País, na categoria vulnerável. O documento foi publicado, em junho, pelo Ministério do Meio Ambiente no Diário Oficial da União. “São animais de hábitos diurnos, por isso pode ser visto durante o dia, mas por não ser muito abundante é raro de se ver. Quando adulto geralmente andam solitários e, geralmente, a mãe em sua gestação pode ter de um a quatro filhotes”, explica a médica veterinária do CRAS. 

Mais sobre o gato-mourisco

Foto: Terence Jorge/Seama.

O gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi) tem ampla distribuição pelas Américas, ocorrendo desde o México até a região central da Argentina, estando presente em praticamente todo o território brasileiro, porém em baixas densidades populacionais. Encontrados em uma grande variedade de habitats, incluindo florestas tropicais, cerrados, caatinga e áreas pantanosas, ocorrendo em todos os biomas brasileiros. De acordo com o livro “Mamíferos não voadores do Pantanal e entorno”, a fêmea dá à luz de um a quatro filhotes, após uma gestação de 70 a 75 dias. Os filhotes nascem com a barriga malhada. Uma curiosidade deste felino é que existem variações de pelagem, podendo ser encontrados indivíduos de pelagem
cinza e bege. Uma explicação para isso é que espécimes de áreas florestadas tenderiam a ser mais escuros, enquanto que os de área aberta seriam mais claros. No Pantanal, predominam indivíduos de cor cinza. A massa corporal pode variar de 2,6 a 5 kg.

  • Michael Esquer

    Jornalista em formação pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com passagem pela Universidade Distrital Francisco José de Caldas, na Colômbia, tem interesse na temática socioambiental e direitos humanos

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