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Fiscais do Ibama sofrem emboscada durante operação contra madeira ilegal no Amazonas

Servidores foram atacados e tiveram o veículo incendiado durante operação na Terra Indígena Tenharim-Marmelos, em Manicoré

Karina Pinheiro ·
17 de março de 2026

Uma equipe de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi alvo de uma emboscada durante uma operação de combate à exploração ilegal de madeira no município de Manicoré, no sul do Amazonas, no último sábado (15). O ataque ocorreu dentro da Terra Indígena Tenharim‑Marmelos, território que tem enfrentado pressão crescente de invasões e retirada clandestina de recursos florestais.

Segundo o Ibama, cinco agentes realizavam fiscalização em ramais clandestinos associados à extração ilegal de madeira quando foram surpreendidos por um grupo de cerca de 30 pessoas. Os fiscais foram agredidos e o grupo efetuou disparos de arma de fogo. Para preservar a própria segurança, os servidores precisaram se refugiar na floresta. Apesar da violência, ninguém ficou ferido.

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Durante o ataque, o veículo utilizado pela equipe foi incendiado pelos agressores. O caso foi comunicado à Polícia Federal, que registrou a ocorrência e iniciou as investigações. De acordo com o Ibama, alguns dos envolvidos já foram identificados e poderão responder criminalmente.

Informações coletadas pela fiscalização indicam que parte da madeira retirada ilegalmente da Terra Indígena Tenharim-Marmelos tem sido escoada e comercializada na região da Vila Santo Antônio do Matupi, localizada no km 180 da Rodovia Transamazônica. A localidade é conhecida como um dos principais pólos madeireiros do sul do Amazonas.

A exploração ilegal de madeira continua sendo um dos principais vetores de degradação ambiental na Amazônia. Estimativas indicam que mais de 60% da madeira explorada no estado do Amazonas apresenta indícios de irregularidades. Parte dessa produção é “esquentada” por meio de planos de manejo florestal fraudulentos, mecanismo usado para inserir madeira de origem ilegal no mercado formal.

O Ibama afirmou que ataques a agentes públicos durante o exercício de suas funções são crimes graves e serão rigorosamente apurados. O instituto lembrou que, nesta mesma semana, a Justiça condenou cinco pessoas pela destruição de uma aeronave do órgão ocorrida em Manaus, em 2021, episódio que também envolveu retaliação à fiscalização ambiental.

Em nota, a ASCEMA Nacional, associação que representa servidores da carreira ambiental federal, manifestou “profundo repúdio” ao ataque contra os fiscais do Ibama. A entidade destacou que o episódio evidencia os riscos enfrentados diariamente por servidores que atuam na linha de frente da fiscalização ambiental no país.

Segundo a associação, operações realizadas em regiões onde atuam organizações criminosas exigem maior estrutura institucional, com reforço de pessoal, orçamento, equipamentos e garantias efetivas de segurança para as equipes em campo.

A entidade também lembrou que, em abril de 2025, encaminhou ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) uma nota técnica defendendo a implementação da Gratificação de Atividade de Risco (GAR) para servidores da carreira ambiental. O documento apontava que esses profissionais frequentemente atuam em áreas marcadas por exploração ilegal de madeira, garimpo clandestino, pesca predatória e conflitos fundiários, muitas vezes em regiões dominadas por grupos armados.

De acordo com a associação, a proposta não foi considerada pelo ministério à época. Para a entidade, a falta de reconhecimento institucional e de medidas de proteção adequadas contribui para que episódios de violência como o ocorrido em Manicoré continuem acontecendo.

A ASCEMA afirmou ainda que a violência contra agentes públicos que atuam na proteção do patrimônio socioambiental brasileiro é inaceitável e deve ser tratada com rigor pelas autoridades. A entidade defende que os responsáveis pelo ataque sejam identificados e responsabilizados.

O Ibama afirmou que continuará atuando para coibir a exploração ilegal de recursos naturais na região, em articulação com órgãos de segurança pública. A Terra Indígena Tenharim-Marmelos, assim como outras áreas protegidas da Amazônia, permanece entre os territórios mais pressionados por atividades ilegais ligadas à madeira, garimpo e grilagem.

  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos.

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