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Impulsionado pelo fogo, desmatamento na Amazônia aumenta 4% em 2025

Números são do sistema de alertas DETER do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Não fosse a degradação, desmatamento teria caído

Cristiane Prizibisczki ·
7 de agosto de 2025

A área sob alertas de desmatamento na Amazônia aumentou em 4% em 2025 e chegou a 4.495 km², área equivalente a três vezes a cidade de São Paulo. Apesar do aumento, este é o segundo melhor resultado da série histórica do sistema DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), iniciada em 2016. Os números, divulgados na tarde desta quinta-feira (7), referem-se ao período que vai de 1º de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025, no chamado calendário do desmatamento. 

A alta nos números, segundo o governo federal, foi devido à seca extrema e ao recorde de queimadas no ano passado. Segundo os dados apresentados, a degradação foi responsável por 15% do total perdido na floresta amazônica no período analisado, um aumento expressivo em relação aos anos anteriores. 

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A maior porcentagem de perda de floresta por degradação – e não por corte raso –  havia sido registrada em 2016, quando ela foi responsável por 8% do total destruído. Não fosse a degradação, a área sob alerta de desmatamento na Amazônia teria caído 8% em relação ao ano anterior.

“Os incêndios, de fato, se tornaram um desafio novo. Estamos implementando novas ferramentas, como o embargo remoto em áreas incendiadas, que vão ser, a partir de agora, intensificadas para que a gente possa combater essa novidade que é o fato de que os grileiros e os degradadores passaram a usar o incêndio como ferramenta de desmatamento, beneficiado pelas mudanças no clima”, disse o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.

Entre os estados, Mato Grosso se destaca, com aumento de 74% nos alertas em 2025, em relação ao período anterior. O estado foi responsável por 36,4% do total sob alerta na Amazônia, uma área de 1.636 km². 

Em seguida aparece o Pará, responsável por 29,5% do total desmatado, com uma área de 1.325 km² sob alerta. Apesar da representatividade em relação aos outros estados, o Pará registrou queda de 21% no desmatamento, em relação ao mesmo período do ano passado.

O próximo do ranking de estados que mais registraram alertas é o Amazonas, com 18,1% do total desmatado no bioma, um aumento de 3% em relação a 2024.

Segundo Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, os números apresentados são ruins, ainda mais considerando que este é um ano de Conferência do Clima no Brasil.

“O Ibama agiu e conteve o risco de termos um número ainda maior de desmatamento, o que seria um desastre, principalmente em ano de COP no Brasil. Mas a derrubada da Amazônia continua ocorrendo em patamares inaceitáveis, levando a floresta a um ponto de colapso. O Brasil pode e deve alcançar desmatamento zero, apesar das muitas forças que sabotam esse objetivo e a agenda ambiental, no Congresso ou no próprio governo”, disse Astrini.

O Observatório do Clima ainda faz um alerta sobre a possibilidade de o desmatamento voltar a uma tendência de aumento, caso o projeto de Lei do Licenciamento seja sancionado por Lula.

“Com o desmonte do licenciamento ambiental aprovado pelo Congresso, a situação poderá sair do controle, com aumento da devastação e da impunidade no país. Estradas na Amazônia, como a BR-319, forte vetor de desmate, podem ser até dispensadas de licença caso o projeto não seja vetado pelo presidente Lula”, disse a organização, em nota, após a publicação dos dados do INPE.

O prazo para que o presidente Lula se posicione em relação ao PL do Licenciamento é amanhã (8/8).

  • Cristiane Prizibisczki

    Jornalista com quase 20 anos de experiência na cobertura de temas como conservação, biodiversidade, política ambiental e mudanças climáticas. Já escreveu para UOL, Editora Abril, Editora Globo e Ecosystem Marketplace e desde 2006 colabora com ((o))eco. Adora ser a voz dos bichos e das plantas.

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