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Mais sustentabilidade e menos juros: a aposta do novo Plano Safra

Anúncio do Plano Safra 2024/2025 renova incentivo aos produtores rurais que adotem sistemas sustentáveis, com redução de juros, e amplia investimento na agricultura familiar

Duda Menegassi ·
3 de julho de 2024 · 2 anos atrás

Nesta quarta-feira (03), em Brasília, foi feito o anúncio oficial do Plano Safra 2024/2025, programa do governo federal de investimento no setor agropecuário, com linhas de crédito e incentivos. E mais uma vez na gestão do presidente Lula, o plano aposta no estímulo aos sistemas produtivos sustentáveis, com redução de até 1,0 ponto percentual de juros de custeio aos proprietários rurais que adotarem boas práticas. O programa também prevê recompensas àqueles que já estão com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) analisado. Além disso, o plano amplia o investimento na agricultura familiar, com R$ 76 bilhões destinados para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O valor é 6,2% maior que o do último ciclo.

O Plano Safra da Agricultura Familiar traz ainda linhas de crédito especiais para indígenas, quilombolas e assentados da reforma agrária.

A agropecuária comercial também receberá mais investimentos do que no ciclo passado, com um montante de R$ 400,59 bilhões, o equivalente a quase 10% a mais do que no período 2023/2024.

Em meio aos investimentos bilionários, a diretora do programa de Clima, Uso da Terra e Políticas Públicas do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Isabel Garcia-Drigo, reforça que o principal desafio da agropecuária nacional é dar abrangência e escala às boas práticas para descarbonização do setor.

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O correto direcionamento dos recursos do Plano Safra é um passo fundamental, afirma. “Só que, para obter esse efeito, as instituições financeiras devem ser capazes de separar o joio do trigo, fazendo com que os recursos cheguem aos empreendimentos realmente sustentáveis ou em transição para uma produção de baixo carbono”, completa a diretora do Imaflora. 

Para isso, explica Isabel Garcia-Drigo, é necessário definir critérios e indicadores específicos para avaliar se determinada iniciativa solicitante de crédito contribuirá ou não para aumentar a sustentabilidade, o que os pesquisadores chamam de “taxonomia financeira agrícola”. O próprio Imaflora coordena um grupo de trabalho ao lado da FGV Agro para construir essa taxonomia, que poderá ser aplicada às atividades comerciais e familiares para reconhecer de forma padronizada e confiável os empreendimentos que estão no caminho da maior sustentabilidade.

Florestas produtivas

Durante o anúncio do Plano Safra, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, realizou o lançamento do Programa Nacional de Florestas Produtivas. 

O programa tem como objetivo a recuperação de áreas degradadas para fins produtivos, para regularização ambiental da agricultura familiar, contribuindo para a ampliação da capacidade de produção de alimentos saudáveis e de produtos da sociobiodiversidade. A iniciativa é voltada para agricultores e agricultoras familiares, entre eles de assentamentos da reforma agrária e de territórios de povos e comunidades tradicionais, e incluiu linhas de crédito especiais, assistência técnica e criação de viveiros comunitários e áreas de cultivo demonstrativo para prática das famílias.

Nesta fase inicial, o programa terá como foco o estado do Pará, onde 21 assentamentos serão contemplados.

“O objetivo é ter produção sustentável de alimentos saudáveis, segurança alimentar e nutricional da população, geração de trabalho, emprego e renda no campo, mitigação do aquecimento global e o cumprimento das metas nacionais de redução de Gases de Efeito Estufa (GEE) estabelecidas pelo Acordo de Paris. Queremos entregar, recuperadas e com produção de alimentos, muitas áreas que foram degradadas”, explicou o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica. →

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