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Moro acena ao agronegócio e critica a política de meio ambiente de Bolsonaro

Em participação ao Flow Podcast, pré-candidato defende a valorização da agropecuária e acusa o atual governo de estimular o desmatamento ilegal

Bruna Martins ·
25 de janeiro de 2022

Pré-candidato à presidência da república pelo PODEMOS, Sérgio Moro criticou a condução da política ambiental do governo Bolsonaro em entrevista ao Flow Podcast, que ocorreu na noite desta segunda-feira (25). Para o ex-ministro da Justiça (janeiro de 2019 a abril de 2020), o governo estimula o desmatamento ilegal ao promover o “desmantelamento” dos órgãos ambientais. 

“O que não pode ter é o que tem na prática hoje, que o governo estimula o desmatamento ilegal enquanto você tem um IBAMA que foi desmantelado, o ICMBio que foi desmantelado, superintendente da Polícia Federal que foi afastado quando tem operação e o presidente com um discurso que sugere que ele é favorável a passar a boiada, aí não dá.”, disse.

Moro passou cinco horas sendo entrevistado por Igor Coelho e Bruno Aiub, onde passou a maior parte do tempo falando sobre sua atuação na Lava Jato, a candidatura e algumas ideias sobre a condução da política ambiental e do agronegócio. 

Nessa linha, defendeu alinhar produção agropecuária com a questão ambiental. “A gente tem visto a economia no Brasil com dificuldades de crescimento, mas a agropecuária crescendo continuamente e até sustentando uma balança comercial positiva pro Brasil em matéria de exportação, então essa atividade tem que ser valorizada e é possível sim você ter uma rica produção agropecuária tanto do pequeno para o grande agricultor com a preservação do meio ambiente, e isso é fundamental na verdade”. 

Moro não comentou, nem foi perguntado, sobre como vê a crescente onda de invasões em terras indígenas por conta do garimpo ilegal. Em 2019, ainda como ministro do governo Bolsonaro, Moro não se importou com a ida da Funai, que historicamente fica no guarda chuva do Ministério da Justiça, para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandada por Damares Alves. O Congresso recolocou a Funai no Ministério da Justiça em maio de 2019. 

Petrobras renovável

A conversa durou quase cinco horas, o que deu tempo para o pré-candidato divagar sobre os mais diversos temas. Quando o assunto sobre privatização da Petrobras chegou, ele declarou ser a favor e que essa é uma discussão atrasada, porque o que devia estar sendo discutido são as energias sustentáveis.

“Eu falei um tempo atrás com um grande economista brasileiro e ele falou uma coisa bem interessante, ele falou ‘Moro, tu tá fazendo a pergunta errada, hoje o futuro é energia eólica, energia sustentável, energia solar’. Então a gente tá falando de combustível fóssil que, claro, detém um papel muito importante no mundo e vai ter durante muito tempo, mas a visão que a gente tem que ter é outra, então a gente tem que pensar em energia renovável. Por isso que a Petrobras precisa investir em formas alternativas de energia, porque se não ela é uma empresa fadada, com seus dias contados. Tem uma relevância grande para o desenvolvimento brasileiro, mas, ou diversifica a fonte de energia ou assume a posição de uma empresa que vai esgotar sua relevância produtiva. Acho que essa é a questão”, disse.

A entrevista, na íntegra, pode ser vista no canal do Youtube do Flow Podcast.

  

  • Bruna Martins

    Jornalista em formação pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

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Comentários 1

  1. Natalia diz:

    Moro estava presente na mesa de reunião onde Salles defende a simplificação das regras ambientais e o famoso “passar a boiada”, mas agora como pré-cadidato vem se pronunciar dizendo que aconteceu um desmantalamento dos órgãos ambientais, dando a entender que foi errado. Mas de que forma será que ele pensou que o “desregramento” citado pelo Salles aconteceria? O que esperar de um homem que esteve diante destas falas e não se pronunciou, o que esperar de um homem que pediu pela transparência de outrem, mas se recusa a apresentar a própria transparência. Está iniciando uma candidatura da forma como sempre foi, agindo ao que lhe convêm individualmente, pensando em sua imagem e em se resguardar mesmo quando absurdos são ditos. Mas se a interferência for na polícia federal, ai sim, ele pede para sair “porque ultrapassa os limites”. E quantos limites já não foram ultrapassados desde o início dessa gestão, quantos ele presenciou?! O eleitorado ambiental é pequeno, mas não é zero, para um candidato que já é conhecido como o terceiro/quarto lugar, realmente é bom não perder esta fração também…