Notícias

No Brasil, presidente da COP-26 cobra ação do setor privado para que país alcance metas climáticas

Alok Sharma está no país para lançamento de aliança entre instituições financeiras comprometidas com a transição para economia de zero carbono

Cristiane Prizibisczki ·
29 de março de 2022

Em visita ao Brasil esta semana, o presidente da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-26), o britânico Alok Sharma, cobrou ação do setor privado no financiamento de programas que ajudem os países a atingirem as metas climáticas prometidas no último evento global sobre o tema.

“É uma questão de entrega, para todos os países […] Temos os comprometimentos. Os países querem agir. Mas o ingrediente chave disso é o financiamento, sem capital os países não têm como entregar todos os comprometimentos feitos, e daí onde o setor privado é tão importante”, disse, durante evento de lançamento da Aliança Financeira de Glasgow para Zero Emissões Líquidas (GFANZ, na sigla em inglês) no Brasil.

A GFANZ é uma aliança global que reúne bancos, seguradoras e investidores com o compromisso de alavancar a transição planetária para uma economia neutra em carbono. A coalizão integra cerca de 500 instituições de 45 países diferentes. Até o momento, estas instituições financeiras se comprometeram a investir US$ 130 trilhões, cerca de 40% dos ativos financeiros mundiais, para tirar do papel as metas do Acordo de Paris, que pretende limitar o aquecimento global a 1,5°C, e do recente Pacto Climático de Glasglow, que definiu metas para redução de metano e perdas florestais ao redor do mundo.

Durante o lançamento da iniciativa no Brasil, Sharma informou que já havia se encontrado com o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, para fortalecer as relações com o país. “[Durante a COP-26] Tivemos diálogos muito construtivos com o Brasil e hoje de manhã [ 28/03] estive com o ministro Leite e estamos fortalecendo este diálogo”, disse.

O Brasil é um dos signatários do Compromisso Global de Metano, estabelecido na COP-26, e que prevê a redução desse gás de efeito estufa em 30% até 2030. Durante a Cúpula do Clima, o país também se comprometeu a reduzir suas emissões nacionais pela metade até 2030 e zerar o desmatamento até 2028. 

Nesta terça-feira (29), Sharma se reuniu com executivos de grandes empresas nacionais para discutir formas de cumprir os compromissos ambientais assumidos pelo Brasil e sobre as ações do setor produtivo brasileiro contra o aquecimento global.

  • Cristiane Prizibisczki

    Cristiane Prizibisczki é Alumni do Wolfson College – Universidade de Cambridge (Reino Unido), onde participou do Press Fellow...

Leia também

Colunas
15 de novembro de 2021

COP 26 reflete o conflito de interesses da sociedade

O mundo amanheceu mais sombrio no domingo, após o encerramento da COP 26, como se fora um final de temporada na qual o time da casa voltou derrotado. Perdeu a humanidade

Reportagens
18 de maio de 2022

Ocupação indígena no Parque Estadual Cunhambebe quer retomar posse do território

Indígenas estão acampados desde quinta (12) ao lado da sede do parque fluminense, em mobilização pela retomada do seu território ancestral

Notícias
18 de maio de 2022

Frio fora de época também é cortesia do aquecimento global

Eventos extremos como a queda nas temperaturas nesta semana em diversas regiões do país fazem parte de um cenário de planeta mais quente

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta