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No CBUC, Pedro Paulo Diniz defende a produção regenerativa

No primeiro dia do IX Congresso de Unidades de Conservação (CBUC) o empresário falou como pretende implementar sistemas regenerativos em produção agropecuária de larga escala

Marcio Isensee e Sá ·
31 de julho de 2018 · 3 anos atrás
O empresário Pedro Paulo Diniz, fundador da Fazenda da Toca Orgânicos. Foto: Divulgação.

“Uma cadeia produtiva que perde entre 30 e 50%, como a de alimentos, enquanto 1 milhão de pessoas estão passando fome no mundo, não está funcionando”, afirma Pedro Paulo Diniz, empresário e fundador da Fazenda da Toca Orgânicos, focado em produção orgânica. Diniz falou nesta terça-feira (31) durante o painel “Natureza como oportunidade”, no primeiro dia do IX Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, que esse ano acontece em Florianópolis.

O empresário explicou o desafio de mudar a lógica de produção atual agropecuária, onde sai de uma tentativa de controle total da natureza sobre as culturas – o que explicaria o excesso de uso de pesticidas e agrotóxicos –, para uma forma de produção que trabalhe junto com a natureza.

Diniz apresentou ao público o conceito de “sistemas regenerativos”, sua aposta atual em um novo empreendimento, a Rizoma. Plantar de forma regenerativa pressupõe aliar produção à restauração florestal e práticas como sistemas agroflorestais, consórcio lavoura-pecuária-floresta e restauração ecológica. Ele está empolgado com esse caminho: “A gente tem uma grande oportunidade de mudar: não precisamos destruir o planeta para ter uma economia pujante”.

O objetivo é aplicar um novo sistema de produção em 1 milhão de hectares, o que representa 1/250 da área atual de produção agropecuária no país. Mas o projeto piloto é bem menos ambicioso e está sendo desenvolvido em uma propriedade de 1.500 hectares. Desde os primeiros meses de 2018, a empresa está implementando um sistema de lavoura-pecuária-floresta: “A gente olhou pro agronegócio e vimos que 170 milhões de hectares é para pecuária e vimos que para gente atingir nosso objetivo [a regeneração] tem que ser um bom negócio. Se não for bom negócio, não vai ser implementado”.

O primeiro painel discutiu “Natureza como oportunidade”. Foto: Divulgação.

Como um homem de negócios que transita entre o mundo ambiental e produtivo, Diniz não poupou elogios aos produtores brasileiros como vetor da economia do país: “Eu admiro o grande agronegócio no Brasil que é referência para o mundo”, mas ponderou que é preciso não tratar a questão com polarização: “Eu acho que a virtude está sempre no meio, é extrair o melhor das coisas. Se continuarmos nesse embate ‘um é bom, outro é ruim’ a gente não avança”. Fazendo um paralelo com o barateamento das energias renováveis desde a década de 70 até os dias atuais, Diniz acredita que a agropecuária terá que seguir um caminho parecido e os novos modelos de produção são, inclusive, uma grande oportunidade de negócio: “[Os sistemas regenerativos] tem um potencial enorme de gerar biodiversidade, sequestrar CO2, reter água no solo [entre outras] inúmeras coisas que fazem esse sistema fazer sentido em um futuro que vem por aí”.

O painel “A Natureza como oportunidade” contou ainda com a apresentação de Jason Clay (vice-presidente sênior de transformação do mercado do WWF) e Denise Hamú (representante da ONU Meio Ambiente no Brasil) e abriu os trabalhos do Congresso que terá três dias dedicados a debater questões relacionadas com o tema “Futuros possíveis: economia e natureza”.

 

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