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‘Nosso governo não é responsável pelo desmonte das agências ambientais’, diz Mourão

Vice-presidente afirmou que críticas internacionais ao desmatamento refletem interesses comerciais e que confia no trabalho de Salles no Ministério do Meio Ambiente

Daniele Bragança ·
9 de julho de 2020 · 2 anos atrás
“Todos nós estamos sujeitos a críticas, mas parcela das críticas feitas ao Salles são injustas”, disse Hamilton Mourão. Foto: Romério Cunha/VPR

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse nesta quinta-feira (09) que o governo “não é responsável pelo desmonte das agências ambientais”. Para Mourão, a falta de pessoal e a proibição de novos concursos são heranças dos governos anteriores. Mourão também desaprovou as críticas internacionais sobre desmatamento na Amazônia. 

“Nós estamos buscando uma solução para que essas agências tenham sua força de trabalho recompletada. Críticas têm sido feitas, principalmente em relação ao ministro Ricardo Salles, e eu quero deixar claro aqui que essas críticas não estão sendo justas”, disse, em coletiva à imprensa. 

Na segunda-feira (06), o Ministério Público Federal entrou com uma ação de improbidade administrativa contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, acusando-o de promover o desmonte do sistema de proteção ambiental do país. Os procuradores também pediram o afastamento imediato de Salles do Ministério do Meio Ambiente. 

Questionado sobre a ação do MPF, Mourão não respondeu a pergunta. 

A coletiva coloca panos frios na fritura de Ricardo Salles. Com a fala de Mourão, fica claro que o ministro conta com o apoio não apenas do presidente, Jair Bolsonaro, quanto do vice e de uma das principais ministras do governo, Tereza Cristina, da Agricultura, que participou da coletiva. 

Para Mourão, há uma disputa geopolítica por trás da defesa da preservação da Amazônia. “O Brasil tem um potencial extraordinário, pelas características do nosso território, do nosso povo. Nós temos água, luz, terra fértil, espaço para avançar e crescer. Então, não resta a mínima dúvida que nós seremos, dentro em breve, a maior potência agrícola do mundo. Isso é destino manifesto do nosso país”, disse. A coletiva ocorreu após o vice-presidente participar de uma videoconferência com investidores internacionais. 

“É óbvio que aqueles que serão incomodados pelo avanço da produção brasileira, buscarão, de alguma forma, impedir que essa produção evolua como vem ocorrendo”, afirmou Mourão. 

No começo da semana (06), líderes de 38 grandes empresas brasileiras e estrangeiras e de quatro entidades setoriais do agronegócio, do mercado financeiro e da indústria enviaram uma carta aberta endereçada ao vice-presidente Hamilton Mourão pedindo providências urgentes contra a devastação da Amazônia.

 

 

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  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

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Comentários 8

  1. MP366 ADIN4029 diz:

    ICMBIO já se mostrou um modelo sem eficácia. Precisam pensar em outro modelo. Ou juntar com Ibama de novo. Podia começar trocando de nome, serviço público é impessoal. IBUC tava melhor, como queriam durante anos antes da Marinah colocar o nome do parça dela num órgão que ela criou no tapetão! Maior greve na história dos servidores do meio ambiente! Agora boa parte já foi cooptada.


  2. mobilerod diz:

    Muito cínico! Um governo que quer "passar a boiada" sobre o meio ambiente agindo como quem diz "não fui eu quem fiz, foi minha mão".


  3. M.F. diz:

    Um governo que jamais assume a culpa, preferindo tocar a bola para o adversário. Não é só hipocrisia! É falta de honradez política!


  4. Erica diz:

    Ah é sim! Pode não querer enxergar,mas é a verdade.


  5. Paulo diz:

    Resumindo Sr. Mourão, o sr. falhou . Faltou também competência.


  6. Paulo diz:

    Pois é. Acreditava no Mourão, mas desandou também.


    1. Paulo diz:

      Cegueira come solto.

      Dureza aguentar tanta hipocrisia. Barbaridade.


      1. Paulo diz:

        Sr. Mourão, pergunte ao Sall$$$$E$.