A Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu nesta quarta-feira (26) a iniciativa brasileira Araticum (Restauração do Cerrado Brasileiro) como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship). Concedido no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, o título destaca projetos de recuperação de ecossistemas considerados exemplos de atuação em larga escala e de longo prazo.
O reconhecimento foi anunciado durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD), ao lado de outras duas iniciativas, na Arábia Saudita e no Sahel. Com a escolha da Araticum, o Brasil se torna o único país a contar, até o momento, com dois projetos reconhecidos pela ONU como Iniciativas de Referência da Restauração Mundial.
A Araticum reúne mais de 180 organizações, incluindo povos indígenas, quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações da sociedade civil, empresas e instituições governamentais. A iniciativa atua em nove estados brasileiros e busca restaurar 2 milhões de hectares do Cerrado até 2030, combinando estratégias como regeneração natural, semeadura direta, restauração ecológica e sistemas agroflorestais com espécies nativas. Atualmente, mais de 27 mil hectares já estão mapeados para restauração.
“Restaurar o Cerrado significa cuidar do nosso clima, da nossa água e do nosso futuro. A escolha do nosso bioma como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas reafirma a necessidade de investir na restauração de florestas, savanas e campos nativos, bem como na autonomia e no fortalecimento das organizações comunitárias que estão na linha de frente da conservação, afirmou a coordenadora da Araticum e coletora de sementes Geraizeira, Fabrícia Santarém.”
Até 2030, a iniciativa pretende alcançar 2 milhões de hectares em restauração até 2030. A meta integra o compromisso brasileiro de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa. Para alcançar esse objetivo, a Araticum combina ações de restauração com instrumentos econômicos e sociais, como pagamento por serviços ambientais, agricultura sustentável, sistemas agroflorestais, planejamento territorial e políticas públicas. Desde 2022, a ONU já reconheceu 30 iniciativas de restauração como Referências da Restauração Mundial, que somam quase 20 milhões de hectares em processo de recuperação e compromissos para restaurar cerca de 75 milhões de hectares até 2030.
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